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É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Há sinais políticos de projeto para derrotar reeleição de Casagrande

A disputa vai crescer e apontar para a possibilidade de eleições disruptivas, no rescaldo da escalada da tensão nacional

Publicado em 07/08/2021 às 02h00
Urna - confirma
A urna eletrônica e o botão de confirma o voto. Crédito: Carlos Alberto Silva

Realmente, o tempo político está atropelando o calendário gregoriano. É a antecipação da sucessão presidencial de 2022. A alta tensão nacional propagou-se e já está pousando na política capixaba. Para abreviar a transição política regional. Para além das aparências, há tensão política no ambiente político capixaba. Um clima de estímulos à polarização. Com sinais de movimentações políticas para derrotar o projeto de reeleição do governador Renato Casagrande. Interromper a transição política regional. Abreviar para 2022 uma troca de guarda.

É claro que tudo isso ainda é movimento de planilha de estratégias políticas. Que vazam no mercado político. São, também, impulsionamentos nas redes sociais de guerra de narrativas. São forças políticas alijadas há muito tempo do jogo político. E outras forças que desejam voltar ao centro de poder. Mas tem um problema. Hoje, o governo e o governador Casagrande são bem avaliados. Pesquisas recentes indicam alta intenção de voto em Casagrande e alta aprovação do governo. Produtos da imagem de boa gestão da pandemia e de boa gestão fiscal. Mas os ataques políticos podem ser diversificados, para influenciar a taxa de rejeição ao governador. Aí, um clima de disputa polarizada pode esquentar.

Pode virar um “todos contra um”, levando as eleições para o segundo turno. Casagrande costurou ampla base aliada, do ponto de vista partidário. E, também, do ponto de vista de lideranças municipais. Mas se passar a fórmula eleitoral do distritão, com a personalização das campanhas, essa base pode ser desarrumada. Embora ele possa catalisar para ele os votos das personalidades. Porém, outros candidatos também podem.

Essas forças políticas atuam para povoar a pista de candidatos a governadoria. Já estão na vitrine, mirando a pista: Guerino Zanon, Audifax Barcellos, Carlos Manato, Max Filho, Felipe Rigoni e Aridelmo Teixeira. Existiam especulações no mercado político sobre uma potencial candidatura de Eugênio Ricas. Mas, com a sua nova missão na Polícia Federal, como novo superintendente regional no ES, uma eventual candidatura tornou-se improvável. Com tantas candidaturas, o horizonte é de eleições de segundo turno. Um segundo turno de todos contra um, Renato Casagrande.

Pesquisas para a única vaga do Senado em disputa indicam a preferência pelo ex-governador Paulo Hartung, seguido pelo ex-senador Magno Malta. Outras preferências situam-se bem abaixo. Se acontecer essa trilha, Magno Malta e Paulo Hartung podem, também, remar contra Casagrande. É forte o recall e o favoritismo de Hartung. Pesquisas qualitativas indicam que o eleitorado vai buscar candidatos experientes em 2022, virando um pouco a página do bordão da nova política.

A efervescência da conquista do poder regional poderá espalhar-se pelo Estado. A disputa vai crescer e apontar para a possibilidade de eleições disruptivas. No rescaldo da escalada da tensão nacional. A conferir.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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