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Espírito Santo

Eventos de significados antagônicos marcaram a semana dos capixabas

Disseminou-se no Estado uma cultura de responsabilidade fiscal e institucional e, mais do que isso, uma cultura de desenvolvimento. Trata-se de uma cultura de Estado. Mas o crime da Mata da Praia mostra que ainda falta uma cultura da paz

Publicado em 27 de Abril de 2024 às 01:00

Públicado em 

27 abr 2024 às 01:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Dois eventos de significados fortes e antagônicos marcaram a semana dos capixabas. Já foram divulgados, mas ainda merecem a atenção, a reflexão e a pró-atividade da sociedade e dos Três Poderes estaduais.
Eles têm efeitos pertinentes na conformação do tecido social e no processo de desenvolvimento estadual. Têm a ver com o perfil do Espírito Santo que está em construção. Obra de governo e de sociedade.
Refiro-me ao crime cometido na Mata da Praia, em Vitória, na noite do último sábado (20). Refiro-me, também, ao evento realizado na segunda-feira (22) no Palácio Anchieta, para marcar o lançamento do Anuário de Petróleo e Gás.
Na Mata da Praia, a banalidade do mal. Uma desavença por causa do cachorro da vítima, que estava sem coleira na pracinha do bairro, gerou um tiroteio e resultou na morte do dono do cachorro. Cenas de barbárie.
Freud dizia ser utopia pensar que os homens submetem suas pulsões de vida e morte à “ditadura da razão”. No caso, predominaram os instintos destrutivos, que tendem a destruir e matar. De onde está vindo isso?
O governador Renato Casagrande foi cirúrgico, em diversas declarações. Condenou o radicalismo e a “insanidade nacional” advinda “dessas redes sociais extremadas”, resultando em impulsos à manifestação de ódio e de instintos destrutivos. E arrematou: “Vejam no que está dando essa história de todo mundo ter uma arma”.
Dito isso, o governador então conclamou a sociedade a combater a violência e, mais do que isso, combater a cultura da violência. Esse combate é uma tarefa não apenas dos governos, mas também das famílias e de entidades da sociedade civil. Uma cultura da paz.
Homem morre baleado na Mata da Praia, em Vitória
Homem morre baleado na Mata da Praia, em Vitória Crédito: Álvaro Guaresqui
Já o evento no Palácio Anchieta teve um significado, prático e simbólico, totalmente diferente. A começar pela declaração de Eduarda Lacerda, gerente-geral da Petrobras no ES. Ela enalteceu as vantagens competitivas do estado para atração de investimentos. Serão investimentos de R$ 37 bilhões até 2028 em projetos de petróleo e gás.
Aproveitando a deixa, o governador Casagrande enfatizou os avanços nos aspectos fiscais e institucionais, que resultaram em melhorias e entregas nas áreas de educação, saúde, segurança e infraestrutura. Com efeitos pertinentes de “longue durée”.
Disseminou-se no Estado uma cultura de responsabilidade fiscal e institucional e, mais do que isso, uma cultura de desenvolvimento. Trata-se de uma cultura de Estado. Mas o crime da Mata da Praia mostra que ainda falta uma cultura da paz. Ethos de sociedade e Estado.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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