Dois eventos de significados fortes e antagônicos marcaram a semana dos capixabas. Já foram divulgados, mas ainda merecem a atenção, a reflexão e a pró-atividade da sociedade e dos Três Poderes estaduais.
Eles têm efeitos pertinentes na conformação do tecido social e no processo de desenvolvimento estadual. Têm a ver com o perfil do Espírito Santo que está em construção. Obra de governo e de sociedade.
Na Mata da Praia, a banalidade do mal. Uma desavença por causa do cachorro da vítima, que estava sem coleira na pracinha do bairro, gerou um tiroteio e resultou na morte do dono do cachorro. Cenas de barbárie.
Freud dizia ser utopia pensar que os homens submetem suas pulsões de vida e morte à “ditadura da razão”. No caso, predominaram os instintos destrutivos, que tendem a destruir e matar. De onde está vindo isso?
Dito isso, o governador então conclamou a sociedade a combater a violência e, mais do que isso, combater a cultura da violência. Esse combate é uma tarefa não apenas dos governos, mas também das famílias e de entidades da sociedade civil. Uma cultura da paz.
Já o evento no Palácio Anchieta teve um significado, prático e simbólico, totalmente diferente. A começar pela declaração de Eduarda Lacerda, gerente-geral da Petrobras no ES. Ela enalteceu as vantagens competitivas do estado para atração de investimentos. Serão investimentos de R$ 37 bilhões até 2028 em projetos de petróleo e gás.
Aproveitando a deixa, o governador Casagrande enfatizou os avanços nos aspectos fiscais e institucionais, que resultaram em melhorias e entregas nas áreas de educação, saúde, segurança e infraestrutura. Com efeitos pertinentes de “longue durée”.
Disseminou-se no Estado uma cultura de responsabilidade fiscal e institucional e, mais do que isso, uma cultura de desenvolvimento. Trata-se de uma cultura de Estado. Mas o crime da Mata da Praia mostra que ainda falta uma cultura da paz. Ethos de sociedade e Estado.