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Política

Em busca da contenção do processo de liquefação política no Brasil

As minirreformas jogam, mais uma vez, luz no atraso do nosso arcabouço institucional. Arcabouço que acaba sendo “vítima” de remendos contínuos. No fim, os remendos só pioram, na sociedade, a avaliação negativa dos políticos e do Congresso Nacional

Públicado em 

02 set 2023 às 00:20
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros

Outro dia, registrei aqui que é bom sinal ver que os economistas e a mídia voltam a olhar as reformas políticas como pré-requisito para a prosperidade sustentável do Brasil. Verifica-se que as reformas econômicas em curso são necessárias, mas não suficientes. E que o país não avançará para o desenvolvimento sustentável sem reformas políticas. O arcabouço institucional vigente é regressivo.
Registrei, também, que as reformas políticas só andam com apoio da sociedade. E que o Congresso Nacional, que é por onde passam as reformas, só anda com pressão da sociedade. Concluí que a opinião publicada (ou seja, a mídia em geral) precisa comunicar-se melhor com a opinião pública (ou seja, a mediana das expectativas da sociedade). É, digamos, uma relação dialética – opinião pública-opinião publicada-opinião pública. Espelho do espírito de época.
Feita esta digressão, volto ao nosso dia a dia. Estão em curso tanto uma minirreforma ministerial, quanto uma minirreforma eleitoral. A ministerial pretende ampliar a base política do governo e buscar a formação de maiorias para aprovar projetos na Câmara Federal e no Senado. A eleitoral, a toque de caixa, pretende modificar a legislação eleitoral já para as próximas eleições. Inclui itens estruturantes, como a federação partidária e as regras do sistema eleitoral. Ainda é preciso conhecer os detalhes, na semana que vem.
Mas o essencial é o seguinte: as minirreformas jogam, mais uma vez, luz no atraso do nosso arcabouço institucional. Arcabouço que acaba sendo “vítima” de remendos contínuos. No fim, os remendos só pioram, na sociedade, a avaliação negativa dos políticos e do Congresso Nacional. É o avanço do processo de liquefação política.
É claro que o nosso sistema eleitoral proporcional uninominal contribui para essa situação. O fim das coligações proporcionais e a cláusula de barreira melhoram o sistema. Mas ainda é preciso votar o projeto do sistema eleitoral misto, para aproximar o eleitor do eleito e diminuir o custo das eleições. E, o que é mais importante, melhorar a proporcionalidade da representação do eleitorado na Câmara Federal.
A questão central é que nem a Câmara Federal representa adequadamente o povo, nem o Senado opera para bem representar os estados. Os deputados federais viraram “vereadores federais”. Aí estão o aumento das emendas parlamentares para mostrar isso. E os senadores, ao deixarem de ter o papel revisor como o essencial, viraram um misto de deputados e vereadores. As funções precípuas da Câmara e do Senado estão apequenadas e desvirtuadas.
Embora eles tenham muito poder, o varejo político desorganiza a possibilidade de atuação estratégica e efetiva. Predomina a pequena política do clientelismo, do corporativismo, do varejo, dos arranjos, e tudo mais que a sociedade condena. Tudo funciona para a manutenção e renovação dos mandatos dos parlamentares. Pouco de grande política. Muito de pequena política.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Crédito: Roque de Sá/Agência Senado
São necessárias reformas políticas que resgatem o papel da Câmara como representante direta dos cidadãos e o papel do Senado como Casa revisora representante dos Estados.
Enquanto isso, a governabilidade e a formação de maiorias de governo continuam instáveis. Sem estabilidade política e produção de consensos, dificulta-se a abertura da trilha que leva à prosperidade.
Volto ao tema.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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