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O ano começa...

Depois da quarta-feira, o que será o amanhã aqui e acolá?

É hora de realismo e novas entregas geradoras de renda e emprego, como os investimentos em infraestrutura, o novo arcabouço fiscal, a retomada das obras paradas e a reforma tributária, para início de conversa

Publicado em 18 de Fevereiro de 2023 às 00:20

Públicado em 

18 fev 2023 às 00:20
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Mais uma vez, vale a máxima popular: no Brasil, o ano só começa depois do carnaval. Na quarta-feira, acordaremos nos perguntando “o que será o amanhã?”. Já temos pelo menos três boas análises sobre as tendências globais, com os seus reflexos no Brasil. Aqui vai uma síntese ligeira.
A Eurasia diz que a conjuntura internacional, em 2023, é recessiva e regressiva. Ela vislumbra um declínio no processo de desenvolvimento humano e de sensação de bem estar. E um aumento de riscos geopolíticos, econômicos e outros.
Enumera dez riscos: (1) Uma Rússia humilhada ameaça a paz mundial; (2) O perfil imperial de Xi Jinping provoca instabilidade geopolítica; (3) A proliferação das armas de destruição é um estímulo aos autocratas e uma ameaça à democracia; (4) As ondas de choques inflacionários permanecem; (5) A crise no regime iraniano é a mais grave dos últimos 40 anos; (6) A crise energética ainda é uma realidade; (7) As mulheres e os jovens são os que mais sofrem com um declínio de oportunidades; (8) A polarização política permanece nos Estados Unidos e divide o país; (9) A influência do Tik Tok na Geração Z pode ser politicamente disruptiva; e (10) A escassez das reservas de água é uma ameaça.
Já para Martin Wolf, o mundo enfrenta forças poderosas de fragmentação econômica, com regionalização das cadeias de suprimentos e produção. É um cenário real e pode representar uma oportunidade para o Brasil. Não parece um colapso total da globalização, mas é um fato.
Ao mesmo tempo, Wolf registra que a democracia liberal “ainda está em recessão”. Mas constata que o populismo de direita está enfraquecendo em alguns países importantes, como os Estados Unidos, o Reino Unido e o Brasil. Mas a diminuição do populismo de direita requer que as democracias liberais ou social-democratas comecem a gerar crescimento e prosperidade. “As economias estão estagnadas, a desigualdade é alta. As elites parecem não saber o que estão fazendo. A política parece estar parada e ineficaz”, diz ele.
O Brasil pode se beneficiar, ainda mais porque é uma potência climática. Empresas de todo o mundo estão em busca de novos lugares para investir, constata Wolf. “Estão olhando para a Índia, para o Vietnã, para Bangladesh, para a Indonésia. Os americanos, é claro, vão olhar para o México e a América do Sul”. O Brasil precisa se preparar para tirar proveito dessa oportunidade histórica.
Por último, apesar das recentes melhorias nas expectativas sobre a economia global, a última edição da “The Economist” alerta para a necessidade de realismo “porque a inflação terá dificuldades para diminuir”. Refere-se à inflação no setor serviços, o qual é mais exposto aos aumentos nos custos da mão de obra. E conclui: “Turbulências nos mercados financeiros parecem prováveis, mantendo muitas economias ainda com riscos inflacionários”.
Nesse contexto de crises e oportunidades, o Brasil precisa ancorar as expectativas políticas e econômicas, gerando estabilidade para retomar o crescimento. Foco nas políticas públicas.
É hora de realismo e novas entregas geradoras de renda e emprego, como os investimentos em infraestrutura, o novo arcabouço fiscal, a retomada das obras paradas e a reforma tributária, para início de conversa. E, principalmente, com a atração de novos investimentos externos, dado o potencial climático e ambiental do Brasil. Girar a economia e cuidar da governança.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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