Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Desafios

Dois nós górdios a serem superados na agenda de desenvolvimento do ES

Na política econômica estadual, agora é preciso ousar mais. Superar gargalos ainda existentes na infraestrutura. Na política, há a necessidade/oportunidade de realinhamento da correlação de forças políticas dominantes

Publicado em 04 de Fevereiro de 2023 às 00:05

Públicado em 

04 fev 2023 às 00:05
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros
No limiar do terceiro mandato do governador Renato Casagrande, o debate sobre os rumos do desenvolvimento capixaba recebeu, em janeiro último, duas reflexões muito pertinentes. Orlando Caliman e João Gualberto, cada qual em seu respectivo campo de análise, chamaram a nossa atenção para a existência de dois nós górdios.
Caliman, na economia, reabriu o debate da “armadilha da baixa complexidade econômica” do ES, acompanhada da desautonomia relativa da política econômica, já que grandes decisões ocorrem fora do nosso território – seja no plano nacional, seja no plano internacional.
João Gualberto, na política, levanta a instigante hipótese de que a direita do espectro político está diante de um labirinto. Para ele, o 8 de janeiro “foi um ponto de inflexão na coalisão bolsonarista, com uma forte tendência à redução da importância da liderança de Bolsonaro”. A hipótese vale para o Brasil e para o Espírito Santo.
Na economia, tanto a baixa complexidade quanto a desautonomia da política econômica estadual têm resultado em baixa competitividade e em queda da taxa de investimentos. No período entre 2010 e 2020, “o PIB per capita do Espírito Santo teria sofrido uma queda de aproximadamente 21% em termos reais”, diz Caliman.
Na política, aponta Gualberto, as contradições internas da coalisão bolsonarista induzem ao surgimento de pelo menos três movimentos políticos e partidários na direita brasileira (e capixaba). Os mais liberais, segundo ele, têm como lideranças políticos como Zema, Tarcisio Freitas e Ratinho Júnior. Outro movimento, mas conservador nos costumes, tem como referência a provável liderança do agora senador Mourão. E um terceiro bloco seria o dos radicais, que podem ou não contar com a liderança de Jair Bolsonaro, diz Gualberto.
Com a direita à porta de um labirinto e com a economia andando de lado, ampliam-se os desafios para a política de desenvolvimento no terceiro mandato de Casagrande. Será preciso intensificar esforços para a diversificação econômica e para o avanço da produtividade e da inovação. Ainda é predominante a vulnerabilidade decorrente da supremacia da instabilidade da plataforma de commodities. Avançou-se pouco na direção da mudança do perfil da economia.
Deputados tomam posse na Assembleia Legislativa do ES
Governador Renato Casagrande Crédito: Fernando Madeira
Na política econômica estadual, agora é preciso ousar mais. Superar gargalos ainda existentes na infraestrutura (como os da Serra do Tigre e o da BR 262). Induzir mais a geração de investimentos que possam agregar valor e adicionar competitividade, inclusive das grandes empresas como a Vale, a Arcelor, a Suzano e a Petrobras. A Vale, por exemplo, com o projeto da fábrica de HBI, de maior valor agregado.
Já na esfera política, com uma transição política em curso, a hipótese do labirinto, de João Gualberto, joga luz sobre a necessidade/oportunidade de rearrumação ou realinhamento da correlação de forças políticas dominantes. Jair Bolsonaro teve 58% dos votos nas eleições de 2022 no Estado. Esse ativo político permanecerá? Qual é a vertente da direita que tende a ganhar tração no ES?
Caliman e Gualberto nos fornecem reflexões instigantes e úteis. Os nós górdios serão desatados pelo novo governo estadual e pela coalizão políticamente dominante no Espírito Santo?

Antônio Carlos Medeiros

Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Ceturb investiga carro que circula como 'frota alternativa' do Transcol
Ceturb investiga carro que circula como 'frota alternativa' do Transcol
Italo Pereira da Silva, de 30 anos, foi identificado como autor de um roubo em ônibus pelas câmeras de reconhecimento facial
Reconhecimento facial ajuda a reduzir em 85% os roubos em ônibus na Grande Vitória
Matheus Rodrigues Correa, conhecido como Magrin, de 28 anos
Homem é morto a tiros no Morro do Macaco, em Vitória

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados