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Relevância nacional

A relativa importância geoeconômica e geopolítica do ES no Brasil

Este é um bom momento (regional, nacional e global) para colocar em prática uma política de desenvolvimento que contemple a inserção regional, nacional e internacional do Estado

Publicado em 17 de Dezembro de 2022 às 00:01

Públicado em 

17 dez 2022 às 00:01
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

As mudanças recentes na geoeconomia e na geopolítica globais tendem a ampliar a importância natural do Espírito Santo. Vamos lembrar que o Estado tem uma das economias mais globalizadas e privatizadas do Brasil, em termos relativos.
Nos anos 1970, o avanço da globalização levou os governos militares a reconhecerem o papel geopolítico capixaba. O que resultou na implantação de grandes projetos relevantes para o equilíbrio do balanço de pagamentos do país: Aracruz Celulose, CST, e expansão da Vale do Rio Doce, entre outros.
Depois, já nos anos 1990, com a adoção do planejamento nacional centrado na ideia de “eixos de desenvolvimento”, a importância do Estado aumentou. Mas ela foi pouco explorada na época. E depois.
Não houve, ainda, suficiente capacidade política e operacional para conectar satisfatoriamente o Estado aos principais eixos regionais e nacionais de desenvolvimento. O Centro-Leste é um desses eixos que precisam ser mais otimizados. A procrastinação do projeto da Serra do Tigre, por três décadas, é um exemplo.
Está claro que o ES ampliou, mais recentemente, a sua condição de plataforma logística no país, com o crescimento do e-commerce. Vai, agora, precisar ampliar mais, com a “desglobalização” e o “nearshoring”. E com o recente rearranjo na geoeconomia e geopolítica globais.
A reindustrialização nacional e o necessário avanço, por exemplo, da cadeia produtiva da saúde (produção de IFA no Brasil) são tendências nas quais o Estado precisa se inserir. Ainda mais agora, quando deve ir ao topo da agenda nacional a necessária ampliação da pauta de importações e, ao mesmo tempo, do necessário avanço das exportações, sem causar desequilíbrios externos. A maior abertura comercial do Brasil.
Seja com a cadeia produtiva da saúde; seja com a ampliação dos projetos ESG advinda da mudança da política para a Amazônia; seja, ainda, com o avanço do agronegócio e da reindustrialização transversal: nesse contexto, o ES tem promissoras janelas de oportunidade.
Portanto, a adoção de uma estratégia de desenvolvimento de amplitude regional e nacional, e não apenas estadual e local, volta a ser uma oportunidade. Sincronizar o local e estadual com o regional e nacional. No dialeto economês, seria a combinação, sempre necessária, de vetores endógenos e vetores exógenos no desenvolvimento estadual/regional.
Nessa estratégia, o “desenvolvimento estadual” precisa estar conectado a uma rede que englobe, pelo menos, os seus Estados limítrofes e toda a sua hinterlândia, no clássico raio de mil quilômetros da “área de influência” do Espírito Santo. Ao mesmo tempo, precisa estar conectado às suas ligações externas, na Ásia, nos EUA e na Europa.
Este é um bom momento (regional, nacional e global) para colocar em prática uma política de desenvolvimento que contemple esta inserção regional, nacional e internacional do estado. Conectando o planejamento regional com o planejamento nacional. E (re)inserindo o ES como vetor estratégico para equacionar as questões nacionais – tanto a do equilíbrio externo e global do país, quanto a do equilíbrio inter-regional brasileiro. É viável.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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