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É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Aliado dos atletas, capixaba de coração fez história nas Olimpíadas de Tóquio

Com estilo discreto, Paulo Wanderley atua nos bastidores. Como um “político de pé de ouvido”. Na escalada, aprendeu que o poder é efêmero. É melhor a atitude de “estar” no poder do que a crença de “ser” o poder

Publicado em 14/08/2021 às 02h00
Paulo Wanderley, presidente do Comitê Olímpico do Brasil
Paulo Wanderley, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Crédito: Wander Roberto/COB

No comando do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Paulo Wanderley fez história e chegou ao ápice de uma longa trajetória no esporte capixaba e nacional. De estudante de educação física na Ufes à presidência do COB, ele subiu degrau por degrau. Estudante, atleta, dirigente. Na chefia da delegação brasileira em Tóquio, viu o Brasil brilhar: 12º lugar entre 206 nações presentes.

O Brasil superou o recorde conquistado na Rio 2016. Subiu em 21 pódios, com uma delegação de 317 atletas (foram 465 em 2016). A melhor campanha da História. Treze modalidades, entre as 35, subiram ao pódio. São 7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes. O COB distribuirá R$ 4,65 milhões em premiação aos 54 medalhistas em Tóquio (incluindo atletas de esportes coletivos). A premiação é inédita. Nova política.

O COB é uma engrenagem poderosa. Engloba 35 modalidades esportivas e tem 107 anos. No ciclo olímpico (4 anos), ele envia representações para cerca de 12 a 16 eventos internacionais, com milhares de atletas. E desenvolve ações educacionais, através do Instituto Olímpico Brasileiro e da Academia Brasileira de Treinadores. A máquina que move a gestão do Comitê Olímpico Brasileiro inclui quase 300 colaboradores. Com um orçamento anual de R$ 300 milhões para 2021, sendo 85% aplicados em atividades-fim e 15% em atividades-meio.

Paulo Wanderley nasceu em Caicó, no Rio Grande do Norte. Mas veio para o Espírito Santo com cinco anos de idade. É capixaba de coração. No ES, formou-se em educação física e ganhou projeção esportiva, como atleta, treinador e dirigente. Já em 1972, participou da Federação Universitária. Em 1974, foi um dos organizadores locais dos Jogos Universitários Brasileiros (Jubes).

Em 1978, começou sua trajetória como dirigente na Federação Capixaba de Judô. Depois, evoluiu para a presidência da Confederação Brasileira de Judô. Estreou em Olimpíadas em 1992, como técnico do judô. Não parou mais de evoluir. Até tornar-se vice-presidente do COB, tendo assumido a presidência no final de 2017, com a renúncia de Carlos Nuzman.

Em outubro de 2020, foi eleito presidente para o quadriênio 2021-2024, com o decisivo apoio dos atletas. Comandou a organização para Tóquio com ênfase no trinômio missão Europa (treinamento em Portugal); rigor nos protocolos de saúde; e equidade, com a marcante presença das mulheres - que acabaram ganhando nove das 21 medalhas do Brasil. Mira os jogos Pan Americanos de 2023, em Santiago, e as Olimpíadas de Paris, em 2024.

O mandato vai até janeiro de 2025. Chegou ao ápice. Com estilo discreto, atua nos bastidores. Como um “político de pé de ouvido”. Na escalada, aprendeu que o poder é efêmero. É melhor a atitude de “estar” no poder do que a crença de “ser” o poder. Esse comportamento foi adquirido pela constante ligação com as raízes. Ele pode ter estado com Vladimir Putin, mas faz questão de preservar os laços com Jaburuna (Vila Velha) ou Colatina, por exemplo. Ex-atleta, busca neles a sua força e motivação. O segredo são os atletas. Deu voz e voto aos atletas no colégio eleitoral do COB. Vai seguir com eles. Não é um cartola.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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