Tornou-se inevitável. O mercado político, o mercado econômico e mesmo as rodas de conversas e debates não param mais de “fazer previsões e apostas” sobre a sucessão, em 2026, do governador Renato Casagrande.
Parecia extemporâneo. Mas deixou de ser. Como o mercado já precificou que as eleições municipais de 2024 servirão como barômetro para 2026, as previsões continuam. Até porque os eventuais pré-candidatos já fazem movimentos – implícitos ou explícitos – na direção de 2026. É peculiar. Mas é um fato. Todos enxergam 2024 como antessala para 2026.
Em geral, as previsões convergem para uma espécie de pré-constatação: ganhará em 2026 a candidatura que conseguir convergir para o centro, com viés de centro-direita. Alianças são previstas nesta direção. Filiações partidárias também. Da centro-direita à centro-esquerda, todo mundo está conversando com todo mundo.
Entretanto, é preciso prestar mais atenção nas movimentações dos deputados federais Evair de Melo (PP) e Helder Salomão (PT). Todos os dois se movimentam pelo interior e pela Grande Vitória, com nítida preferência por uma disputa majoritária em 2026. Preferencialmente para a governadoria. Todos os dois se situam fora do centro do espectro político.
Evair de Melo conquistou o seu terceiro mandato seguido como deputado federal em 2022, sendo o terceiro mais votado, com 75.034 votos. Helder Salomão também conquistou em 2022 o seu terceiro mandato, sendo o mais votado, com 120.337 votos. Ambos, portanto, bons de votos.
Evair se movimenta com desenvoltura pelo interior do ES, defendendo as pautas do agronegócio e colocando-se como aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Cresceu muito no interior e capta o chamado voto bolsonarista. Mais do que isso: ele seria o candidato preferido de Bolsonaro no ES. Tem, portanto, potencial político-eleitoral, seja porque é bom de voto, seja porque poderá substituir Carlos Manato como a candidatura preferida do ex-presidente.
Helder Salomão forma hoje no ES, juntamente com João Coser, o par de lideranças do PT raiz mais proeminentes no Estado. O senador Fabiano Contarato, apesar do seu prestígio político, é cristão novo no PT. Está claro que a candidatura de João Coser para prefeito da capital (Vitória) é uma prioridade para Lula e para o PT. Está claro, também, que Helder Salomão será o preferido para uma candidatura majoritária em 2026.
Outro dia, um observador antenado na política capixaba me disse que, para ele, Evair e Helder serão muito competitivos em 2026. Segundo ele, ambos com possibilidades políticas, a preços de hoje, para chegar ao segundo turno. Evair, com apoio de Bolsonaro, partiria com potencial de 30% de votos. Helder, com apoio de Lula, partiria com potencial de 20%. Competitivos, portanto. Mas ele afirma que Evair estaria comentando um equívoco: não estaria abrindo frestas para dialogar com o centro. Ao contrário de Helder, que já se movimenta nessa direção.
O busílis, a ser conferido com o barômetro de 2024, será verificar se a polarização política arrefecerá ou não no ES. Se diminuir, Evair poderá perder terreno. Em menor escala, Helder também. Mas no caso de Helder, um bom desempenho de João Coser em Vitória, combinado com a melhoria da aprovação de Lula, poderá fortalecer o poder eleitoral da legenda. O PT e o MDB são legendas fortes no Brasil: o voto de legenda.
De qualquer forma, serão dois candidatos competitivos. Como se vê, a estrada eleitoral tende a ser bastante congestionada em 2026. São as circunstâncias.