Em seu constante processo histórico de renovação e de metamorfose, o capitalismo aumentou muito a sua penetração na vida individual das pessoas. O espírito capitalista e a lógica do capitalismo. Explico adiante.
Esta penetração é crescente, principalmente a partir do surgimento e ascensão de uma classe média global. Trata-se do avanço da Ásia em crescimento acelerado — China, Índia, Tailândia, Indonésia e Vietnã, por exemplo —, combinado com a evolução da classe média no Ocidente. Incluindo o Brasil, claro.
Branko conclui que o domínio do capitalismo como a única maneira de organizar a produção e a distribuição parece absoluto. “Não há nenhum rival à vista”.
E depois de uma brilhante análise da evolução da metamorfose do capitalismo, ele aponta para a possibilidade da hipótese da convergência dos capitalismos liberal e político. O capitalismo liberal tendo como líder o capitalismo iliberal dos Estados Unidos de Trump - e o capitalismo político tendo como líder a China.
A plutocracia está vencendo. Os modelos de capitalismo ganham perfis semelhantes.
Resultando em fortalecimento dos seus alicerces, formados pelo crescimento da classe média global.
Pelas contas de Branko, até 2040 vai-se acelerar o movimento de convergência de renda de amplas faixas regionais da Eurásia e da América do Norte, por exemplo. Isso vai significar mais da metade da população mundial. A penetração constante do capitalismo na vida das pessoas.
A transversalidade do espírito capitalista da busca da acumulação e da riqueza no âmago da ação individual e privada das pessoas resulta em dois fenômenos interligados nas sociedades capitalistas modernas. Que Branko denomina de “atomização” e “comoditização”.
Para ele, a atomização significa o efeito da “gig economy” e do novo mercado de trabalho na vida das famílias. A “uberização”, o trabalho intermitente, o “delivery” e correlatos. O aumento dos bens e serviços produzidos fora de casa, para Branko, “diminui as vantagens econômicas das famílias” na lógica da acumulação capitalista. Tudo resultando na diminuição do tamanho das famílias.
Já a “comoditização”, irmã siamesa da “atomização”, significa a “comoditização da esfera privada e o apogeu do capitalismo hipercomercializado”, afirma Branko. A comoditização dos nossos ativos e do nosso consumo. Outra vez: Uber, delivery, gig economy.
A comoditização muda a forma de interação entre as pessoas e solapa as relações humanas: empregos intermitentes e impessoalidade. Impulsiona o individualismo e diminui o convívio familiar. Tudo somado, afirma Branko, “o capitalismo tornou os seres humanos máquinas de calcular dotadas de necessidades ilimitadas”.
O crescimento de uma classe média global tende a impulsionar a convergência dos capitalismos liberal e político. E a estimular o fortalecimento e a preservação da elite. Estimula, também, o controle da elite sobre o campo político. O que Branko chama de “estreitar laços entre riqueza e poder”.
A plutocracia está vencendo. No capitalismo sem rivais. Aqui e acolá.