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Economia

Capitalismo sem rivais no embate entre Estados Unidos e China

Em livro, Branko Milanovié, depois de uma brilhante análise da evolução e metamorfose do capitalismo, aponta para a possibilidade da hipótese da convergência dos capitalismos liberal e político

Publicado em 10 de Maio de 2025 às 02:00

Públicado em 

10 mai 2025 às 02:00
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

Na geopolítica do império Ocidental e do império Oriental – Estados Unidos e China – a resultante em processo de formação é a imbricação (dialética) do capitalismo liberal do Ocidente (Estados Unidos) com o capitalismo político do Oriente (China).
Por um lado, o avanço da plutocracia no capitalismo liberal na direção do capitalismo iliberal, com o avanço do trumpismo econômico. O efeito da liderança iliberal de Donald Trump cria uma agenda de impulso ao capitalismo político.
Por outro lado, a consolidação da plutocracia no capitalismo político chinês. O poder da nomenclatura partidária no aparato de Estado, combinado com a descentralização da lógica do capitalismo de mercado pelo país. Com a sustentação de taxas de crescimento do PIB relativamente altas. E uma eficiente burocracia/tecnocracia estatal.
A plutocracia está vencendo. Os modelos de capitalismo ganham perfis semelhantes.
Esse registro factual e analítico vem do trabalho seminal de Branko Milanovié em seu recente livro “Capitalismo sem Rivais”, do qual tomei emprestado o título e o “lead” deste artigo.
Branko conclui que o domínio do capitalismo como a única maneira de organizar a produção e a distribuição parece absoluto. “Não há nenhum rival à vista”.
Depois de uma brilhante análise da evolução e metamorfose do capitalismo, ele aponta para a possibilidade da hipótese da convergência dos capitalismos liberal e político.
Segundo ele, uma evolução do capitalismo liberal, num movimento em direção a um capitalismo plutocrático e, por fim, político, é possível. “Quanto mais fortes ficarem as características plutocráticas do capitalismo liberal de hoje, maior a probabilidade desta evolução”.
Pois bem. Essas características ganharam força e tração com a ascensão do trumpismo e da democracia iliberal nos Estados Unidos. O trumpismo costura alianças explícitas com as Big Techs e com os mercados financeiro e imobiliário. O que Milanovié chama de “estreitar laços entre riqueza e poder”. Para ele a preservação da elite “pressupõe seu controle sobre o campo político”.
Desde a análise de Max Weber em “A ética protestante e o espírito capitalista”, sabe-se que a busca de riqueza é uma das características sociológicas fundamentais do capitalismo.
Pois o chamado espírito capitalista penetrou profundamente na vida individual das pessoas, diz Milanovié. Os avanços da “gig economy” e do empreendedorismo são dois dos sintomas mais recentes. Também com o crescimento da força religiosa dos evangélicos. O espírito competitivo e aquisitivo inerente ao capitalismo.
Para Milanovié, o ponto final dos dois sistemas, o capitalismo liberal e o capitalismo político, se torna semelhante: “a unificação e a persistência das elites”, com laços mais estreitos entre o poder econômico e o político.
China, Estados Unidos, EUA, tarifa, taxa, importação
EUA e China Crédito: Shutterstock
Outra sociedade. Outro mundo.
Vem daí três breves reflexões para a nossa realidade brasileira.
Aqui, o capitalismo sem rivais assiste a três movimentos que mostram o início do fim do ciclo político de 1988.
O primeiro é a partidocracia das emendas. A partidocracia traz a lógica capitalista de mercado para a organização e evolução das máquinas partidárias e alimenta o avanço da plutocracia no processo político.
O segundo, como corolário, é o avanço da plutocracia na política. O mercado financeiro e as lideranças no mercado produtivo.
O terceiro é aqui também a possibilidade da convergência do capitalismo liberal de mercado com o capitalismo político.
Partidocracia e plutocracia. O nosso capitalismo sem rivais.

Antônio Carlos de Medeiros

E pos-doutor em Ciencia Politica pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaco, aos sabados, traz reflexoes sobre a politica e a economia e aponta os possiveis caminhos para avancos possiveis nessas areas

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