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Agronegócio

Safra de café arábica aumenta 50% no ES, mas os preços oscilam

Espírito Santo produzirá 4,47 milhões de sacas do café tipo arábica em 2020, 49,1% a mais em relação ao total de 3 milhões de sacas colhidas no ano passado, segundo estimativa da Conab

Publicado em 28 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

28 set 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos Angelo Passos
Grãos de café
Grãos de café: produção do Estado neste ano superou bem as expectativas Crédito: Divulgação/ Leandro Fidelis/Ascom Coopeavi
Muito café, mas os preços têm oscilado. Esta é a situação do setor, neste momento. Obviamente, com diversos reflexos: no bolso do produtor, no caixa das companhias exportadoras e na arrecadação tributária, já minguada pela fraqueza da economia.
O relatório da safra de café de 2020 divulgado na semana passada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) avalia em 4,47 milhões de sacas de 60 quilos a produção do tipo arábica no Espírito Santo. É um salto espetacular, graças à bienalidade positiva (aumento de produtividade), característico dessa planta. São 49,1% a mais em relação ao total de 3 milhões de sacas colhidas no ano passado.
Já o café tipo conilon, especialidade do Espírito Santo, não teve safra tão abundante neste ano. De acordo com a Conab, em 2020 o solo capixaba produziu 9,13 milhões de sacas, 13% a menos do que 10,5 milhões de sacas em 2019. Caiu em função de condições climáticas desfavoráveis durante a fase de floração. Mesmo assim, é uma quantidade elevada. Beneficiou dezenas de municípios no Estado. Corresponde a 64% de toda a produção brasileira, estimada em 14,25 milhões de sacas - volume 5% menor do que no ano passado justamente por causa da queda na produção capixaba.
Mesmo assim, os números da Conab indicam que em 2020 o Brasil contabiliza a segunda maior produção de café da sua história: 61,6 milhões de sacas beneficiadas, de 60 quilos, dos tipos arábica e conilon, quantidade 25% maior em relação ao ano passado. Esta quantidade está apenas um pouco abaixo do recorde registrado em 2018: 61,7 milhões de sacas.
A grande expectativa da cadeia de produção e comercialização do café é a elevação do preço do produto, ditado internacionalmente. A demanda pelo produto brasileiro continua aquecida, diz o Conselho Nacional do Café. Também, apesar da safra volumosa, não há excesso de oferta, diz a entidade. A questão é o cenário econômico incerto. Isso tem induzido variações nas cotações. O arábica exportado pelo Espírito Santo em 2020, até agosto (dado mais recente) saiu, em média, por US$ 111,43 a saca; já o conilon, a US$ 76,64. Em 2019, os preços médios foram US$ 112,03 e US$ 83,36. O conilon perdeu muito.
Aí entra outro jogo: custo de produção versus preço de venda. Por um lado, a depreciação do real frente ao dólar (em patamar historicamente alto) tem ajudado a subir preços do produto na nossa moeda, embora nem toda a variação cambial seja repassada; por outro lado, os insumos cotados em dólar encarecem a produção.

Angelo Passos

Angelo Passos Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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