No primeiro bimestre de 2018, há um ano, a produção física da indústria capixaba acumulou queda de 7,8% em relação ao mesmo período de 2017. Um susto. O pior resultado do país. Um ano depois, a perplexidade se repetiu. Em fevereiro de 2019, um tombo histórico: retração de 9,7% na produção industrial local ante janeiro – também o mais baixo desempenho no Brasil. Na comparação com fevereiro de 2018, o desastre foi maior: queda de 11,7%. O acumulado janeiro/fevereiro/2019 em relação a janeiro/fevereiro/2018 também é negativo: -6,2%. Isso significa perda para a economia como um todo. Afeta dezenas de empresas fornecedoras. Reduz o emprego.
Há ligações entre os impactos de 2019 e 2018. A raiz está na pouca diversificação da indústria no Estado. A performance geral do setor é altamente dependente de poucos segmentos: mineração, aço, celulose e petróleo. Problema em qualquer um deles joga o resultado estadual para baixo. E tratam-se de commodities, sempre sujeitas a oscilações, nas ondas do mercado internacional. Aliás, a instabilidade do comércio global é ameaça à economia capixaba, dada a sua abertura ao exterior.
Neste início de 2019, o recuo na produção de minério de ferro, após o rompimento da barragem em Brumadinho, tolheu as
indústrias capixaba e de Minas. Boa parte da produção era pelotizada ou escoada pelo Espírito Santo.
No primeiro bimestre de 2018, o minério de ferro também caiu e houve redução da produção de celulose, influenciada pela suspensão temporária das atividades da Suzano, para ajustes na fábrica. Essa mesma parada técnica verificou-se em 2019.
A indústria capixaba caminha com dificuldade. Destoa da agropecuária – notadamente da agricultura, onde o café abunda –, e do crescimento das vendas do comércio, principal impulsão do PIB estadual em 2018.
Essa situação convida à reflexão sobre a produtividade, assunto em voga em meio à timidez da economia. A indústria capixaba teve nove setores com evolução de produtividade maior que a nacional, entre 2007 e 2016. No entanto, o de transformação acumulou taxa negativa (-12,6%), segundo estudo do Ideies.
A Confederação Nacional da Indústria cortou drasticamente – de 3% para apenas 1,1% –, a estimativa de crescimento do setor no país, em 2019. E a indústria capixaba, como se sairá? O PIB estadual está sendo afetado pela derrapada da atividade industrial.