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É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

Pequenos negócios esperam crescer e ficar maiores do que antes da crise

Recessão impõe dificuldades às empresas, mas também cria oportunidades. Esta percepção leva à crença de que é possível crescer em cenário adverso, que obriga negócios a se adequarem às mudanças de mercado

Publicado em 12/10/2020 às 05h00
Atualizado em 12/10/2020 às 05h02
Negócios comandados por família
Pequenos negócios estão otimistas com o pós-pandemia. Crédito: Pixabay

Previsão de queda de 5% do PIB neste ano, mais de 13 milhões de pessoas desempregadas, graves prejuízos para as empresas, abalo no sistema produtivo, atoleiro fiscal, ausência de plano de governo para retomada do crescimento. Tudo isso causa medo ao mundo dos negócios. São ingredientes de uma tempestade perfeita, mas a esperança de que ela vai passar gera investimentos.

Mais de 50% (exatamente 52%) dos pequenos negócios - que somam cerca de 200 mil no Espírito Santo - acreditam que crescerão e serão maiores do que antes da crise. Tomara. É uma expectativa saudável, uma boa notícia revelada em estudo do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O empreendedorismo atrai cerca de 60 milhões de pessoas no Brasil. Dois em cada cinco brasileiros entre 18 e 64 anos participam de atividade empresarial ou têm plano de abrir um negócio. O número não parou crescer na recessão anterior, de 2014 a 2017, e nem nos anos seguintes, marcados por pífia expansão do PIB à taxa anual de 1%.

A recessão de hoje também não freia o empreendedorismo. Seja por sobrevivência ou senso de oportunidade. No Espírito Santo, o total de optantes pelo Simples Nacional teve acréscimo de 35 mil empresas de janeiro a agosto deste ano, segundo dados da Receita Federal.

Desde que foi decretado estado de calamidade pública, o governo anunciou uma série de medidas de indiscutível importância, principalmente para pequenos negócios. Geralmente, eles dependem do faturamento mensal para pagar compromissos corriqueiros, como energia e salários.

A flexibilização das leis trabalhistas (redução de jornada de trabalho e de salários) certamente ajudou a manter vivos milhares de empreendimentos, mas também deixou uma valiosa lição: a necessidade, de vida ou morte, de reestruturar negócios. Muitos modelos antigos perderam a validade. Tornou-se imperioso implantar mudanças, buscar novas condições visando continuar no mercado e aumentar o rendimento. É esta percepção que leva 52% das micro e pequenas empresas entenderem que poderão crescer e ser maiores do que antes da crise.

Pequenos negócios merecem mais apoio do governo. A economia precisa muito deles, pois já representam 30% do Produto Interno Bruto do país, segundo estudo conjunto do Sebrae/Fundação Getúlio Vargas. A força das MPE é vista principalmente nas atividades de comércio e serviço (que juntas compõem 23% dos 30% do PIB), mas nos negócios abertos neste setor há expansão notória de microindústrias.

Também deve ser lembrado o potencial de geração de empregos. De 2006 a 2019, as micro e pequenas empresas criaram aproximadamente 13,5 milhões de vagas de trabalho.

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