Apesar do excesso de burocracia, de gargalos na infraestrutura (portos, rodovias e ferrovias) e da alta dose de impostos encarecendo os produtos, pequenos negócios avançam no comércio internacional – e o Espírito Santo supera a média brasileira nesse crescimento.
O número de micro e pequenas empresas (MPE) exportadoras capixabas aumentou, em média, 3,9% ao ano entre 2009 e 2017, enquanto no mesmo período as demais empresas no Estado que vendem para outros países cresceram, 2,9% a cada ano – de acordo com estudo do Sebrae, divulgado na semana passada.
As MPEs representam 40,8% das empresas exportadoras no Brasil. No Espírito Santo, a participação é maior: 41,3%. Trata-se de uma pulverização importante para a economia, sob vários aspectos, inclusive para geração de empregos. As MPEs respondem por 85% das vagas formais no país.
Em 2017, um total de 322 MPE no Estado vendeu para o exterior, sendo 142 microempresas e 180 pequenas empresas. Em relação ao ano anterior, o conjunto de micro exportadoras capixabas cresceu 34%, quase cinco vezes mais do que o das pequenas, 7,8%. Mas, há um diferencial marcante: o entra e sai das microempresas na atividade exportadora é mais intenso do que o das pequenas firmas. Estas exportam mais continuadamente.
Quem exporta
O Sebrae identificou o seguinte perfil das MPEs exportadoras capixabas: 53,7% são do ramo do comércio (quantidade muito acima da média nacional, que é de 41,5%); 34,5% são industriais; 6,2% da construção civil; 5%, outros segmentos; e agropecuária, 0,6%.
Detalhe
O levantamento feito pelo Sebrae não encontrou MPE capixaba exportadora de serviço. É um atraso. O setor deve acreditar no seu taco. E investir.
O que vendem
Produtos manufaturados dominam a pauta de exportação das MPEs no Estado: responderam por 68,6% dos embarques, em 2017. Isso é um quadro positivo. O valor agregado aos bens puxa divisas para a economia local.
Condições
O fôlego dos manufaturados das MPEs capixabas decorre de demandas pontuais e de aumentos de preços. Mas é indispensável melhorar a competitividade dos nossos produtos, e o Brasil precisa ampliar acordos comerciais – de preferência, sem viés ideológico.
Mercado
A metade do valor das exportações das MPEs capixabas vem de negócios com os Estados Unidos e com o Canadá. Do Mercosul, apenas 4,4% – e sem chance de ir muito à frente, enquanto a Argentina não se levantar. Já a aproximação Bolsonaro/Trump abre novas perspectivas de parcerias.
E o faturamento, ó...
As MPEs capixabas do ramo comercial exportaram US$ 32,8 milhões em 2017, um avanço de 10,9% em relação a 2016. As industriais faturaram US$ 21,8 milhões, queda de 10,2% ante 2016 – o que mostra dificuldades desse setor. Incluindo todos os nichos, as MPEs no Estado exportaram US$ 61 milhões em 2017.
Proporcional
A receita modesta das exportações das MPEs é compatível com o porte dos negócios e com a competitividade. Entre 2009 e 2017, a participação média das MPEs capixabas nas vendas ao exterior de todas as MPEs brasileiras foi de 5%.
Selva burocrática
Não fosse a overdose de burocracia, as exportações da MPEs seriam muito maiores. Elas não têm a estrutura das grandes para enfrentar as exigências do governo. Estudo da Confederação Nacional da Indústria aponta 46 procedimentos diferentes, com tarifas distintas, de 12 órgãos anuentes no processo de exportação. Já a importação paga 72 taxas a 16 órgãos.