Em plena pandemia, a importação de aviões (turbojato e outros) pelo Espírito Santo está voando alto: atingiu US$ 158,9 milhões. A de automóveis, US$ 65,8 milhões (contrastando com o retrocesso de 15 anos na produção da indústria automobilística brasileira). Esses produtos constam da relação dos que têm maior participação nos desembarques pelo litoral capixaba. Os dados são do Ministério da Economia, e referem-se ao período de janeiro a maio deste ano. Parecem descolados do drama do país, cujo PIB caiu 1,5% no primeiro trimestre.
As importações de aviões e carros chamam a atenção sobretudo por três aspectos. Primeiro, obviamente, pelo fato de o contexto de crise não ter derrubado (ou postergado) muitas decisões de compra no exterior. Segundo, porque essas decisões estão sendo desencorajadas pela forte desvalorização do real frente ao dólar, que encarece os produtos estrangeiros.
Por certo, esse ímpeto se justifica na visão de cenários futuros. Não é à toa. Nem inconsequente. Terceiro, pela capacidade que demonstra o mercado do luxo (que no ano passado movimentou R$ 26 bilhões no Brasil) de resistir - embora fragilizado, como todos os demais -, à tempestade e nela se reinventar, buscando oportunidades e mantendo o poder de sedução.
A propósito, o comercio exterior capixaba não vai bem em 2020. Sente a desaceleração do mercado global. De janeiro a abril, as exportações recuaram 23% comparadas ao mesmo período do ano passado. O saldo da balança comercial do Estado ficou negativo em US$ 75 milhões. Mas há uma fresta por onde se vê resultados positivos. Está nas importações, que cresceram 6,7%, em valor, nos quatro primeiros meses do ano. No acumulado em 12 meses, elas cresceram 22,9%, enquanto no Brasil, neste período, houve retração (-2%).
O dado mais agradável, porém, está no conteúdo das importações pelo nosso litoral: 30% são bens de capital (máquinas, ferramentas, equipamentos etc. para a produção). É o percentual mais alto desde 2014, quando o Brasil entrou em recessão. Significa que, mesmo na crise, existem muitas atividades investindo. Há diferentes visões sobre os desempenhos dos mercados doméstico e internacional após o flagelo do coronavírus.