A Bolsa de Valores vem enfileirando recordes nestes primeiros dias do ano. O ápice do Ibovespa, até agora, aconteceu nesta quarta-feira (9), quando superou 93 mil pontos pela primeira vez em sua história.
O resultado foi influenciado por quatro fatores. O principal, é a perspectiva de uma reforma robusta na Previdência, que daria fôlego fiscal para os próximos anos. Em segundo lugar, desponta a crença de que os Estados Unidos e a China podem anunciar algum avanço nas negociações da guerra comercial, embora o conflito esteja muito longe do fim.
A pontuação inédita no Ibovespa também foi ajudada pela decisão da Arábia Saudita de diminuir a exportação de petróleo, induzindo aumento no preço (fato que interessa às empresas petrolíferas e não à sociedade), e pela fala de diretores do Federal Reserve, o banco central dos EUA, contra a alta de juros, embora não assegurem que as taxas não subirão ao longo de 2019.
É sempre assim. Bolsa trabalha com o futuro, prospectando cenários, e muda de posição instantaneamente, conforme sopra o vento. Os pregões sobem, mas muitos riscos ameaçam a economia mundial e o Brasil não está blindado.
Há grande temor de queda de ritmo nos negócios internacionais. Os principais atores têm sérios problemas. O crescimento dos Estados Unidos começa a fraquejar após oito anos de expansão. A China também desacelera. O PIB chinês no terceiro trimestre de 2018 teve a menor alta em nove anos. Os desdobramentos do embate comercial entre as duas potências tendem a encolher mercados. E as consequências podem ser agravadas com as crises na Itália e na França. As nuvens mais carregadas pairam sobre os países emergentes – como sempre ocorre nas adversidades.
Por tudo isso, o Banco Mundial reduziu de 2,5% para 2,2% a projeção de crescimento do PIB do Brasil em 2019. A reavaliação consta no relatório Perspectivas Econômicas Globais, cujo subtítulo “Céus Escurecendo”, resume todo o teor.
“Uma expansão de 2,2% (em 2019) está prevista para o Brasil, pressupondo-se que reformas fiscais sejam rapidamente implementadas, e que as reações do consumo e do investimento superem os cortes nas depesas públicas”, destaca o documento, sem fazer menção direta a Previdência. E precisava? Óbvio, que não. Sem mudança de impacto no sistema previdenciário, as contas públicas não sairão da UTI. E nem o país conseguirá atrair fluxo positivo de investimentos, no médio e no longo prazo.