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É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

Onda de inflação dos alimentos pode ir até o final do ano

País vive inflação localizada, mas socialmente muito cruel. É a disparada dos preços de alimentos essenciais, integrantes da cesta básica

Publicado em 11/09/2020 às 05h01
Cesta Básica
Cesta básica está com preço mais salgado devido à alta dos alimentos. Crédito: Arquivo A gazeta

O bolso do consumidor grita: "o que pode ser feito para baixar a inflação"? Instantaneamente, nada. A alta nos preços - que é tópica, localizada nos alimentos - vai demorar alguns meses para voltar ao antigo normal. Quanto tempo? Não se sabe. Pode ir até o fim do ano. Um pouco menos, ou mais. É um jogo de muitas variáveis: demanda, oferta (afetada pela exportação de grandes volumes da agropecuária), variação do dólar e entressafra de alguns produtos, entre outras causas. O cenário internacional também pressiona para elevar os preços dos alimentos. Exatamente esta mistura faz inchar os preços.

A certeza absoluta que se tem é que os preços não recuarão por força de arroubos populistas, como a intimidação do varejo de alimentos esboçada nesta semana pelo governo. O Brasil sabe disso desde a época do governo Sarney, que mandou confinar bois nos pastos para conter os reajustes da carne, que furavam o Plano Cruzado - de triste memória.

A inflação oficial do Brasil, em agosto, divulgada pelo IBGE, foi de 0,24%. No mesmo mês, na Região Metropolitana da Grande Vitória, o IPCA ficou praticamente estável: recuou 0,03%. Número é bonito, mas a realidade é feia, principalmente para as camadas populacionais de baixa renda. Os preços de alguns alimentos dispararam.

Em Vitória e municípios próximos, o arroz teve aumento de até 21%. A importação de arroz, agora facilitada pelo governo (alíquotas zeradas), tende a frear os reajustes desse alimento. A redução da demanda, em função do preço elevado, também ajudará nesse sentido. No entanto, a cota a ser importada dará apenas para o consumo de um mês. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar (cerca de 35% neste ano) torna o produto importado muito caro.

A lista de aumentos exagerados é longa. O feijão preto subiu quase 30%. O óleo de soja foi reajustado em quase 20% mais. Então, a cesta básica passou a custar quase como se fosse um banquete. Ficou proibitiva para uma quantidade maior de pessoas que antes já não podiam comprá-la. Além disso, o IPCA registra que tomate subiu em torno de 44% na Grande Vitória, no mês passado. Sim, 44%! Já a batata inglesa teve elevação de 10%; frango e ovos, ambos 7%.

A deflação levíssima na Grande Vitória e a alta de 0,24% no Brasil podem ser explicadas em função das quedas nos preços da educação, de alguns aluguéis e serviços. Esse quadro mostra claramente que a carestia está localizada nos alimentos.

Socialmente, a característica mais cruel de inflação é esta. Castiga a maior parte da população. Fica apenas o consolo de que a situação do país estaria muito pior se a onda de inflação fosse generalizada, com perda de controle. Seria dramático. Coincidiria com o contexto de recessão, desemprego muito alto e incertezas sobre os rumos do país.

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