Endividamento é uma coisa. Inadimplência, outra. O casamento desejável se dá quando o endividamento cresce em níveis prudentes, indicando aumento do uso do crédito para consumir, e a inadimplência diminuiu. Felizmente, o comércio de Vitória registrou este cenário na passagem de junho para julho. Há a sensação de que a economia reage tropegamente, em meio a tantas limitações. A maior delas, sem dúvida, é a queda do nível de renda da população, decorrente do desemprego.
De acordo com pesquisa da Fecomércio-ES, na virada da primeira para a segunda metade do ano, o endividamento das famílias de Vitória atingiu 77,5%, o que corresponde a cerca de 102 mil famílias. Quase 400 mil pessoas. Este patamar é 11,7 pontos percentuais maior em relação ao de 2019. O cartão de crédito é o instrumento utilizado por 76% das famílias endividadas. Liderança disparada.
O dado que não é muito confortável é o grau de endividamento. Em Vitória, parcela de comprometimento da renda mensal com dívidas é, em média, em 29,9%, com obrigações já assumidas para os próximos sete meses. É um terço da renda. Impõe restrições ao consumo. A visão geral é que a maioria dos cidadãos só está comprando o necessário. Comedimento rigoroso.
Uma outra pesquisa, sobre a intenção de consumo das famílias de Vitória, , mostra recuo de junho para julho. Não podia ser diferente. No trimestre terminado em junho, faltou trabalho para 323 milhões de pessoas no país - recorde registrado pelo IBGE. O Espírito Santo acumulou redução de 27 mil postos formais de trabalho no primeiro semestre.
Já a inadimplência no comércio de Vitória começou o segundo semestre em leve queda. Em julho, o índice ficou em 35,1%, apenas 1 ponto percentual menor frente ao mês anterior. Isso corresponde a cerca de 46 mil famílias com pelo menos uma conta ou dívida em atraso. Comparada ao mesmo período do ano passado, a inadimplência caiu 3,9 ponto percentual. Atualmente, o atraso nos pagamentos é de 59 dias, em média.
As preocupações com a economia seriam menores se o país estivesse tocando um plano consistente para reversão da recessão. Mas não se vê isso. A ação do governo está muito centrada em prover auxílio emergencial para 42% da população e na tentativa de criar algo semelhante à CPMF. A função do Ministério da Economia apequenou-se. Terá custo econômico e social elevadíssimo.