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Economia local

Mais endividamento e menos inadimplência no início do semestre em Vitória

O endividamento das famílias de Vitória no comércio atingiu 77,5%, ou cerca de 102 mil famílias. Significa uso maior do sistema de crédito para compras. Já as prestações em atraso (inadimplência) tiveram um leve recuo

Publicado em 17 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

17 ago 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Comércio na Avenida Expedito Garcia, em Campo Grande
Reabertura do comércio no ES: famílias estão consumindo e se endividando novamente Crédito: Fernando Madeira
Endividamento é uma coisa. Inadimplência, outra. O casamento desejável se dá quando o endividamento cresce em níveis prudentes, indicando aumento do uso do crédito para consumir, e a inadimplência diminuiu. Felizmente, o comércio de Vitória registrou este cenário na passagem de junho para julho. Há a sensação de que a economia reage tropegamente, em meio a tantas limitações. A maior delas, sem dúvida, é a queda do nível de renda da população, decorrente do desemprego.
De acordo com pesquisa da Fecomércio-ES, na virada da primeira para a segunda metade do ano, o endividamento das famílias de Vitória atingiu 77,5%, o que corresponde a cerca de 102 mil famílias. Quase 400 mil pessoas. Este patamar é 11,7 pontos percentuais maior em relação ao de 2019. O cartão de crédito é o instrumento utilizado por 76% das famílias endividadas. Liderança disparada.
O dado que não é muito confortável é o grau de endividamento. Em Vitória, parcela de comprometimento da renda mensal com dívidas é, em média, em 29,9%, com obrigações já assumidas para os próximos sete meses. É um terço da renda. Impõe restrições ao consumo. A visão geral é que a maioria dos cidadãos só está comprando o necessário. Comedimento rigoroso.
Uma outra pesquisa, sobre a intenção de consumo das famílias de Vitória, , mostra recuo de junho para julho. Não podia ser diferente. No trimestre terminado em junho, faltou trabalho para 323 milhões de pessoas no país - recorde registrado pelo IBGE. O Espírito Santo acumulou redução de 27 mil postos formais de trabalho no primeiro semestre.
Já a inadimplência no comércio de Vitória começou o segundo semestre em leve queda. Em julho, o índice ficou em 35,1%, apenas 1 ponto percentual menor frente ao mês anterior. Isso corresponde a cerca de 46 mil famílias com pelo menos uma conta ou dívida em atraso. Comparada ao mesmo período do ano passado, a inadimplência caiu 3,9 ponto percentual. Atualmente, o atraso nos pagamentos é de 59 dias, em média.
As preocupações com a economia seriam menores se o país estivesse tocando um plano consistente para reversão da recessão. Mas não se vê isso. A ação do governo está muito centrada em prover auxílio emergencial para 42% da população e na tentativa de criar algo semelhante à CPMF. A função do Ministério da Economia apequenou-se. Terá custo econômico e social elevadíssimo.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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