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É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

Fundo vai garantir empréstimo para pequenos negócios

Até o início deste mês, 86% dos pequenos negócios que buscaram crédito não conseguiram. Falta de confiança no tomador. Para amenizar o problema, o governo vai dar garantia de 85% do montante que os bancos emprestarem a micro e pequenas empresas

Publicado em 22/05/2020 às 05h00
Atualizado em 22/05/2020 às 05h02
Com pandemia do coronavírus, diversas economias no mundo vão enfrentar crise e recessão
Com pandemia do coronavírus, diversas economias no mundo vão enfrentar crise e recessão. Crédito: Freepik

A visão do mercado financeiro sobre o PIB em 2020, captada pelo Banco Central, mais uma vez foi revista para baixo. Em março (quando a pandemia desembarcou no Brasil) a previsão de crescimento caiu de 2,2% para zero. Em abril, já era prevista contração de até 5%. Agora, analistas enxergam recuo de 5,5%, admitido pelo próprio Banco Central. É o número mais mais perto das projeções internacionais para o PIB brasileiro: recuo de 6%, o maior da história.

E quem garante que a queda não passará de 6%? Não existe teto. Também pode ser menor do que 6%, ou de 5%, sabe-se lá. Mas é um processo de revitalização que não cai do céu. Precisa ser construído com muito entrosamento entre o poder público e a iniciativa privada - e isso está longe de ser uma arma do Brasil para este momento.

O governo vem tratando o definhar da economia com comprimidos tímidos. O Congresso tateia. Sim, desde março tem sido anunciada um bateria de pequenos socorros. Uns do Executivo, outros do Congresso. Mas as previsões para 2020 não param de piorar, e o governo reconhece isso ao sinalizar uma possível prorrogação do auxílio emergencial para desempregados e autônomos. Só que não seria mais de R$ 600. O ministro Guedes fala em R$ 200 ( o mesmo proposto pelo Ministério da Economia no início do programa, e elevado para R$ 600 pelo Senado). "Não há orçamento para pagar R$ 600 para quase 60 milhões de pessoas por muito tempo", argumenta Guedes. É muita gente pobre!

Crédito (quando acessível, é lógico) é ferramenta clássica de animação da economia. No Brasil, porém, há complicações. No cenário atual, mais ainda. Pesquisa do pesquisa do Sebrae, feita entre 30 de abril e 5 maio em parceria da Fundação Getúlio Vargas, constatou que 86% dos pequenos negócios que buscaram crédito não conseguiram. Muitos apenas conseguiram apenas uma "esperança". Foi-lhes dito para aguardar circunstância melhor para liberação de empréstimos. Segundo o Sebrae, e inúmeros depoimento de empresários, a falta de garantias contribuiu fortemente para o emperramento.

São decorridos dois meses de prejuízos incessantes na economia. Muitas empresas já foram enterradas. Outras milhares estão na corda bamba e, em vários casos, o empréstimo bancário já não as salvaria. Só aumentaria dívidas. O crédito pedido corre o risco de não ser pago. Esse quadro mostra o atraso do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), proposto pelo Senado e aprovado há quase um mês pelo Congresso, mas só agora (anteontem) sancionado por Bolsonaro.

Angelo Passos

Articulista

"O governo vem tratando o definhar da economia com comprimidos tímidos. O Congresso tateia. Sim, desde março tem sido anunciada um bateria de pequenos socorros. Uns do Executivo, outros do Congresso. Mas as previsões para 2020 não param de piorar, e o governo reconhece isso ao sinalizar uma possível prorrogação do auxílio emergencial para desempregados e autônomos"

O Pronampe deverá oferecer crédito em condições especiais - e com garantia do governo -, para as micro e pequenas empresas, mas com uma condição seletiva: somente as que estavam em dia com a Receita Federal antes da crise da Covid-19. O Tesouro vai injetar R$ 15,9 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO) para que o fundo dê garantia de até 85% para os recursos que os bancos emprestarem às MPEs. Tomara que isso amenize o drama desses negócios.

Mas o Brasil precisa ser mais agressivo nos remédios para a economia. Chega de tanto improviso, de tanto remendo. É indispensável um plano de visão mais ampla.

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