A eleição presidencial nos Estados Unidos gera incertezas, e esse clima já atinge a economia capixaba. Exportações são diretamente atingidas. Estão em queda. Com exceção dos embarques de café que apresentam números vistosos refletindo as circunstâncias de mercado.
Decisões de comércio internacional de grandes companhias em vários países estão travadas à espera do resultado da disputa entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden. Será em novembro a grande luta do ringue político mundial. Nela estarão em jogo os rumos das transações comerciais e investimentos em todo o planeta. Na verdade, o fluxo de transações estava enfraquecido desde o segundo trimestre, em função da pandemia. Agora, vive novo fator de arrefecimento.
No acumulado de janeiro a agosto deste ano as exportações do Estado tiveram queda de 30,6% em valor na comparação com o mesmo período de 2019 - cujos resultados já eram acanhados. Confrontados agosto/2020 com o mesmo mês do ano passado, a retração foi de 40,1%. Também houve queda nos volumes embarcados de diversos bens, segundo dados do Ministério da Economia.
A economia chinesa tem conseguido se sair relativamente bem da crise global e espera crescer algo em torno de 2,5% neste ano. Não fosse isso, as exportações capixabas estariam amargando resultados piores. Estados Unidos e China são os principais destinos das saídas de mercadorias pelo Estado.
Já as exportações do Brasil apresentaram queda em todas as bases de comparação: -8,94% em agosto ante o mês de julho; -9,80% no cotejo de agosto de 2020 com o de 2019; e -7,33% no acumulado em 2020. O quadro seria muito pior sem o agronegócio. Dados oficiais mostram que a participação do agronegócio nas exportações totais brasileiras subiu de 42% em agosto de 2019 para 50,2% em agosto de 2020.
No Espírito Santo, como ocorre historicamente, o café é a grande estrela do agronegócio. A receita cambial gerada pela exportação desse produto pelo Estado, de janeiro a agosto deste ano, soma US$ 339,9 milhões,
O tempo é de dificuldades econômicas e elas se refletem também nas importações. O valor das operações realizadas no litoral capixaba no acumulado de janeiro a agosto de 2020 é 25% menor ante o mesmo período do ano passado. Esse desempenho é atribuído a fatores que todos conhecem: recessão (que nocauteou o mercado interno) e desvalorização do real frente ao dólar (cerca de 35% no acumulado deste ano) que encareceu muito os produtos comprados no exterior.
O mundo aguarda a luta entre Trump e Biden.