Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Brasil

Debandada no time de Paulo Guedes contribui para agravar a crise

Equipe do Ministério da Economia perdeu oito nomes importantes. Os motivos seriam a trava nas privatizações e o engavetamento da reforma administrativa

Publicado em 14 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

14 ago 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
Paulo Guedes e Jair Bolsonaro: saída de nomes importantes da Economia mexeu com o governo Crédito: Marcos Corrêa/Fotos Públicas
A debandada no Ministério da Economia intranquiliza o mercado. Não é normal. Causa incerteza, fator que trava decisões investimentos. A pasta pilotada por Paulo Guedes é o principal avião da esquadrilha administrativa, e ilustres tripulantes estão saltando da aeronave. O mercado vê isso como indicativo de alteração de roteiro no caminhar da pasta. A repercussão é péssima. Ocorre em meio a tempestade, com o PIB afundando ao nível de quase 6% ao ano.
O time de Paulo Guedes perdeu oito nomes importantes - revoada nunca antes vista. Agosto começou com os pedidos de demissão do secretário especial de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e do secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Paulo Uebel. No mês passado, foram três baixas: Mansueto Almeida (que havia se tornado referência no ministério) deixou a Secretaria do Tesouro Nacional; Rubem Novaes largou a presidência do Banco do Brasil; e Caio Megale pediu exoneração do cargo de diretor de programa da pasta.
Antes, havia saído o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo (que foi para a presidência do New Development Bank). Também pediram o boné profissionais que integraram a equipe de transição do ministério: Marco Cintra, ex-chefe da Receita Federal, e Joaquim Levy, que ficou na presidência do BNDES até o ano passado.
O que mais tem causado perplexidade dentro e fora do país é a saída em bloco de cinco grandes nomes, em menos de um mês, de julho para agosto. Guedes confessa ter sido pego de surpresa. O que está por trás desse movimento não é nada oculto. O mercado começa a pensar que as estrelas pularam fora por causa do rumo que a gestão econômica está tomando. Em consequência, desconfia-se de que haverá novas baixas.
Forçosamente, o Ministério da Economia está em processo de reformulação do seu plantel. Haverá apenas substituição nos cargos ou mudança de estrutura? Por mais capacitados que sejam os que estão chegando, é fundamental corrigir defeitos no funcionamento da pasta, muito visíveis aos olhos de todos.
As privatizações estão emperradas. Temos como exemplo capixaba o caso da Codesa, que começou a ser preparada para transferência à iniciativa privada no governo Temer, mas ainda não saiu do papel. Já a reforma administrativa (essencial para melhorar a eficiência do setor público), teve estudos modificados, por determinação de Bolsonaro, mas está engavetada.
Em meio a incertezas, fala-se que o programa liberal de Guedes está virando fumaça. Não que falte consistência às diretrizes. Mas porque o capitão estaria querendo impor uma espécie de nacionalismo desenvolvimentista. Sua visão seria usar recursos do Tesouro para impulsionar a economia. Coisa parecida com época de Médici (a quem citou recentemente demonstrando admiração). O capitão não para de surpreender. No momento, parece dedicado a costurar um plano visando a reeleição.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O serralheiro Ilário Mongin completa 68 anos nesta terça-feira (5)
Pescador à deriva no litoral do ES foi resgatado no dia do aniversário
Com o início no dia 27/04, a campanha busca atrair o público de alto padrão, trazendo opcionais interessantes no cartão.
Banestes lança a campanha do Banescard Visa Absoluto, o novo cartão de alto padrão do banco
Filme é Assim que Acaba
Blake Lively e Justin Baldoni encerram disputa judicial

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados