As lavouras de café injetaram R$ 4,72 bilhões na economia do Espírito Santo em 2018, valor 45,5% maior do que R$ 3,24 bilhões em 2017. O salto reflete a quantidade: em 2018, floresceu uma supersafra de 13,74 milhões de sacas; em 2017, foram colhidas apenas 8,86 milhões de sacas, 55% menos, de acordo com pesquisa da Conab.
A colheita de 2019 no Estado deve ser maior do que a de 2018. A produção foi renovada, chuvas satisfazem e a granação do café é boa
Que fatores viabilizaram a supersafra? Basicamente, três: primeiro, condições climáticas favoráveis, com bons índices pluviométricos; segundo, o aumento de produtividade, de 22,99 sacas por hectare em 2017 para 35,42 sacas por hectare em 2018; terceiro, uma pequena ampliação da área produtora, de 385,5 mil hectares para 387,9 mil hectares.
Tudo isso resultou na colheita no território capixaba de 8,99 milhões de sacas de conilon (representando 63,4% do total de conilon produzido no Brasil) e de 4,75 milhões de sacas de arábica no território capixaba. O total de 13,74 milhões de sacas corresponde a 22,3% da safra brasileira de 61,7 milhões de sacas em 2018 – a maior da história – e assegurou ao Estado a condição de segundo maior produtor nacional.
Mas há um fato negativo para a cafeicultura: é o preço baixo do produto. Isso é lamentável, porque tira dinheiro do Estado. O bolo de recursos oriundos dos cafezais deveria ser no mínimo de 10% a 15% maior, segundo a percepção dos produtores.
PREÇOS BAIXOS
O Valor Bruto da Produção (VBP) do café é calculado pelo Ministério da Agricultura com base em duas variáveis: o tamanho da safra e o preço médio pago ao produtor. De acordo com a pesquisa, a cotação da saca de arábica capixaba recuou de R$ 390 no final de 2017 (quando o valor já era motivo de queixa do produtor) para algo em torno de R$ 363, em 2018. O conilon caiu de R$ 340 para R$ 310.
REPERCUSSÃO
Mesmo quando a safra é farta, o preço minguado do café fere a economia rural do Estado. Essa commodity responde por 44% da renda bruta total da agropecuária capixaba. Fornece renda para aproximadamente 400 mil pessoas. “Seria o momento de o produtor estar se capitalizando, se o preço estivesse mais alto”, lamenta o presidente da Federação da Agricultura, Júlio Rocha Júnior.
O COMÉRCIO SENTE
“Na metade da colheita do conilon (junho/julho) houve certa euforia de consumo, em função do tamanho da safra. Mas isso acabou porque os preços não reagiram. O comércio passou a enfrentar mais dificuldades para vender”, analisa Audenir Gomieri, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Alimentos de São Gabriel da Palha, Vila Valério, Águia Branca e São Domingos do Norte. É a região que mais produz conilon no Brasil.
POR QUÊ?
Não depende do produtor nem do exportador dosar o valor do café. Há forças muito maiores. “Fundos internacionais, especulativos, entram no mercado vendendo grande quantidade, pressionando os preços para baixo”, relata o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória, Jorge Nicchio.
MUITA QUANTIDADE
O jogo da oferta e da procura também influencia a precificação da rubiácea. Há dois anos, a produção mundial supera o consumo, provocando redução de preços. Em 2018, chegaram ao mercado 167,5 milhões de sacas, mas a demanda ficou em 165 milhões de sacas, segundo a Organização Internacional do Café.
COMO SERÁ 2019?
A safra do arábica em 2019 deverá ser menor, em função da bienalidade (um ano mais, outro menos). Isso reduzirá em 10,8% a colheita total de café no Brasil, segundo o IBGE. Mas, no Espírito Santo, especializado em conilon e não em arábica, a safra total será maior. O avanço do conilon dará um resultado superior ao de 2018, dizem produtores e exportadores.