O Brasil voltou a figurar na lista dos 25 países mais confiáveis para o investimento estrangeiro direto (IED), depois de ter sido excluído desse ranking no ano passado. O indicador produzido pela consultoria norte-americana A.T. Kearney mostra que apesar da previsão de queda de mais de 9% no PIB de 2020, a expectativa de recuperação da economia brasileira continua vivíssima. Neste momento, talvez mais no exterior do que aqui.
O país é a única nação da América Latina a compor o ranking de 2020. Está em 22º lugar entre as que mais atraem o investimento estrangeiro direto, ou seja, receber valores de companhias do exterior para impulsionar os seus negócios. Reflete crença em potencial de mercado. Vale lembrar que os efeitos do investimento estrangeiro direto não se resumem em benefícios para as empresas que injetam dinheiro aqui. Na verdade, transbordam para a economia. De várias formas: transferência de tecnologia, de competência, geração de empregos, intensificação da concorrência etc.
Por certo, o potencial do Espírito Santo para o IED se desenvolverá com o avanço das condições logísticas. Notadamente com a implantação de novo sistema portuário. É preciso apressar a construção do desenho que vem sendo anunciado há anos: privatização do Porto de Barra do Riacho (no pacote de transferência da Codesa), e a instalação de portos em Aracruz, São Mateus e Presidente Kennedy.
A pesquisa da Kearney é feita anualmente desde 1998 com executivos das 500 maiores empresas do mundo. As classificações são calculadas com base em respostas a perguntas sobre a probabilidade de as empresas dos entrevistados realizarem investimento direto em um mercado, nos próximos três anos. A pontuação varia de 1 a 3. A do Brasil foi de 1,65. É o país do futuro.
Seria pessimismo descabido imaginar que a pandemia pode tirar esse título. Chegará o momento em que o país se levantará. É o que todos esperam. E que seja em condições melhores do que antes, desfazendo-se de amarras (notadamente tributárias) que tolhem a produtividade da economia.
Em momento tão adverso, afundado em grave recessão, a que se deve a volta do Brasil ao rol dos mercados mais cobiçados por companhias estrangeiras para expandir seus negócios? Entre os fatores estão "a aprovação da reforma da Previdência e os esforços do governo para ampliar as privatizações, que devem estimular o crescimento", diz o relatório da Kearney.
Aqui, cabem duas observações: uma é que a pesquisa foi feita em março, antes da deterioração dos indicadores se aprofundar. Outra, é que nos últimos dois meses, maio e junho, o governo vem intensificando, de forma muito acentuada, articulações visando a concessões e atração de investimentos em infraestrutura.
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tem sido ultimamente a voz das boas perspectivas. As transferências e investimentos privados em portos, aeroportos, ferrovias e rodovias podem superar R$ 80 bilhões, segundo cálculos do governo.
Inevitavelmente, na próxima pesquisa, em 2021, o Brasil terá de demonstrar que soube controlar a alta da dívida pública (hoje acelerada em função dos gastos com a pandemia), que engatou novamente o ajuste fiscal, e que vem conseguindo, aos poucos, implementar uma dinâmica econômica que o afasta da recessão.