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Bolsonaro começa a estimular investimentos em ferrovias

Na virada de março para abril, aconteceu no Brasil o primeiro leilão de ferrovias em 12 anos - o que mostra a apatia dos governos de plantão no período

Publicado em 26/04/2019 às 14h07
 Crédito: Amarildo
Crédito: Amarildo

No auge da campanha, o candidato Bolsonaro postou em rede social: “Brasil sem ferrovias.Isso vai mudar”. Finalmente, decorridos pouco mais de 100 dias de governo, a promessa (meio demagógica) começa a ganhar corpo e engatinhar.

Na virada de março para abril, aconteceu no Brasil o primeiro leilão de ferrovias em 12 anos – o que mostra a apatia dos governos de plantão no período. A disputa anterior envolveu um trecho entre Tocantins e Maranhão, e foi realizada em 2007.

Agora, acaba de ser concedida à iniciativa privada uma extensão de 1.537 quilômetros, entre Tocantins e São Paulo, integrante da EF 151, conhecida popularmente como Ferrovia Norte-Sul. O certame foi um sucesso. O lance vencedor atingiu R$ 2,719 bilhões - um ágio de 100,92% sobre o valor mínimo R$ 1,35 bilhão, previsto no edital. Os investimentos da concessionária devem somar R$ 2,8 bilhões.

Essa ferrovia é filé. Um dos principais canais de escoamento da produção agrícola do país. Mas, vale o tamanho do ágio que foi pago, considerando as incertezas que rondam a economia e o próprio governo? Certamente, a leitura deve ir adiante. Os números da concessão da EF 151 ultrapassam a matemática do leilão. Demonstram a crença da iniciativa privada no gigantesco potencial de negócios em infraestrutura logística.

O Brasil começa a acordar para o investimento em ferrovia. Entende que já demorou muito a reduzir a exagerada dependência do transporte rodoviário. Há enorme pressão empresarial nesse sentido, por questão de competitividade no mercado doméstico e no comércio internacional.

Essa situação tem a ver diretamente com o Espírito Santo, pelas características de sua economia e privilégio locacional. Seria desastroso para o Estado ficar à margem do avanço do modal ferroviário na matriz transporte, conforme tendência em regiões estratégicas.

O governo Bolsonaro começou a induzir investimentos em ferrovia. É o momento de o Espírito Santo reiniciar a luta pela implantação da EF 118, ligando Vitória ao Rio Janeiro, questão deixada em aberto no governo Temer – por falta de credibilidade e de fôlego político.

É obra orçada em torno de R$ 3 bilhões, possibilitando a conexão dos Portos de Tubarão, Ubu e Central, em Presidente Kennedy, com previsão de R$ 2 bilhões/ano de receita gerada pelo transporte ferroviário, na próxima década.

Que venham a ferrovia e melhorias nas rodovias. E portos. A sinergia é indispensável.

 

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