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Criador e criatura

Quino, Mafalda e o lema feminista "o pessoal é político"

Com seu olhar astuto e afetuoso sobre a vida cotidiana, a política, a natureza, as mulheres e os homens, do alto de seus seis anos de idade, Mafalda acabou se tornando um potente ícone feminista

Publicado em 04 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 out 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

O cartunista Joaquin Salvador Lavado, conhecido como Quino, contempla escultura de sua criação a Mafalda, em Oviedo (EUA)
Escultura da personagem Mafalda e o seu criador, o cartunista Joaquin Salvador Lavado, conhecido como Quino Crédito: Reuters/Folhapress
Pouco se falava em diversidade e equidade em setembro de 1964, quando Quino publicou as primeiras histórias de uma menininha inconformada, libertária, divertida e esperançosa chamada Mafalda. Ainda hoje, e nestes dias mais do que nunca, a pequena defensora da liberdade, da igualdade e de rumos melhores para a humanidade aquece coraçõezinhos solitários do Sargento Pimenta ao redor do mundo.
Em uma das muitas ironias da vida, um dia depois da primeira aparição da personagem completar 56 anos, Quino se foi.
Nascido Joaquín Salvador Lavado Tejón, em julho de 1932, na Argentina, Quino viveu para ver Mafalda atravessar os anos atual e necessária. Mesmo depois de sua aposentadoria precoce, em 1973, ela seguiu influente e inspiradora. E, com seu olhar astuto e afetuoso sobre a vida cotidiana, a política, a natureza, as mulheres e os homens, do alto de seus seis anos de idade, acabou se tornando um potente ícone feminista.
Mafalda encarnou como poucas o lema feminista segundo o qual “o pessoal é político”. A frase resumia a ideia de que a ordem era começar com questões pequenas nas quais as experiências particulares se sobressaiam e então se mover rumo a questões coletivas, que muitas vezes são também as minhas, as suas, as de todas nós.
Assim, temas individuais como o desejo, a necessidade de se firmar no mercado de trabalho, a opção por ter ou não ter filhos, a busca por igualdade de direitos, de salário e de possibilidades deixaram o quarto para ganhar as ruas. Desde então, aprendemos a entender aspectos privados como aspectos profundamente politizados, porque reflexos de uma estrutura de poder secular em que, raras exceções, homens brancos estão no topo e mulheres negras, no fim da fila.
Em mais uma das muitas ironias da vida, Mafalda nasceu a partir de uma frustrada campanha publicitária para vender geladeiras e máquinas de lavar roupa para mulheres. Meio século e um pouquinho depois, Quino se foi, deixando a menininha feminista para nos lembrar da esperança, a despeito de todo o cansaço.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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