Ninguém nasce preconceituoso. Não saímos da fábrica com um chip racista, machista ou anti-LGBTQIA+ implantado na pele. Vem da cultura, não da biologia, a noção equivocada de que temos o direito de
julgar a cor da pele, o gênero, a orientação sexual ou a profundidade do decote de alguém.
Com raras exceções, somos moldados ao longo dos anos a desconfiar dos diferentes e a julgar que certos grupos são superiores a outros. Levada ao extremo, a ideia de que estamos exercendo a nossa liberdade de expressão reflete a violência, a intolerância e a discriminação que matam mulheres, negros e pessoas
LGBTQIA+ todos os dias.
Por definição, preconceito significa uma opinião formada sem conhecimento sobre um tema. Um sentimento criado antes mesmo de qualquer experiência, informação ou conceito, independente de toda razão.
Embora a Ciência ainda precise avançar no assunto, hoje já se sabe que ninguém nasce preconceituoso. Portanto, da mesma forma que somos moldados pela História, pela sociedade e pela cultura, podemos e devemos tirar lições do que passou e reaprender sempre que for preciso.
Reaprender a olhar uma mulher livre sem a pecha de vadia, mesmo que um dia a gente tenha escorregado no hábito. Reaprender a não julgar transexuais nem fazer piada sobre sua caminhada, embora em alguma ocasião a gente já tenha achado graça do assunto. Reaprender que um jovem preto não devia morrer tão cedo apenas por ser preto e que não pode ser normal quase 8 entre 10 pessoas assassinadas no país serem negras (77%, segundo o Atlas da Violência 2021).
Reaprender, sem vergonha, porque ninguém nasce preconceituoso. E, da mesma forma, não precisa continuar assim.