Na semana passada fui visitar a Stone Fair, no parque de exposição em Carapina. Entrei sem precisar de crachá de visitante, por gentileza dos filhos de Ilsinho e Cecília Milanez, que agora tocam a feira. Depois de ficarem anos sem poder realizá-la, os três estavam felizes e orgulhosos com o que tinham para apresentar.
Nem bem entrei no galpão, a animação nos corredores apinhados de gente e a movimentação nos estandes me fizeram lembrar das primeiras edições da feira de mármore e granito de Cachoeiro, que ajudei a criar e coordenar as primeiras edições.
Elas eram uma espécie de festa de comemoração dos esforços coletivos para fortalecer o que se mostrava promissor para muitos, além de ótima oportunidade para rever amigos e abraçar pessoas que só se comunicavam por telefone e fax.
Quem esteve na primeira há de se lembrar dos estandes montados nos galpões das baias para touros e vacas do parque de exposições. Por conta dos improvisos, além da queda da energia logo na abertura, faltou água no restaurante do Curuca por volta das 10 da noite.
Tenho em ótima conta o que fizemos em favor da modernização das condições de produção e de gerenciamento das empresas de extração, beneficiamento e comercialização de mármore e granito. O movimento envolveu um grupo de empresários do setor e contou com entusiasmo de fornecedores de máquinas, insumos e serviços.
Em prazo bem curto, foi possível conseguir saltos extraordinários na produtividade dos teares, redução relevante dos custos das serradas, melhor qualidade das chapas, com consequente aumento significativo na lucratividade das empresas. Tanto, que ficou comprovado que olho grande e inveja boa são fatores de desenvolvimento empresarial.
A criação da feira modernizou as práticas comerciais em vigor, a começar pela marcação da data e do local pra mostrar, comprar e vender pedra. Um caderno especial da antiga Gazeta Mercantil mostrou ao Brasil que Cachoeiro era a capital do mármore e granito e estimulou atitudes e providências para atrair visitantes de lugares distantes, inclusive do exterior.
Trinta anos depois, dentro daquele galpão refrigerado, vi estandes enormes e sofisticados, expondo placas de materiais coloridos, muitos deles translúcidos e cheios de veios que devem ter feito brilhar os olhos de arquitetos e decoradores. Pelo que soube, os negócios foram animadores.
Saí da feira me sentindo uma pessoa importante, tamanhas as atenções que recebi de herdeiros dos pioneiros Scaramussa, Nemer e Secchin, os abraços de ex-alunos, agora bem-sucedidos empresários do ramo. Em meio ao alvoroço, confirmei mais uma vez que valeu a pena dar o empurrãozinho que falava nos conterrâneos que fizeram Dona Gracinha, minha mãe, se gabar e me dizer, nos idos de 1985, que Cachoeiro estava cheio de indústrias.