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STF

Pejotização: liberdade para os trabalhadores brasileiros

Cabe ao STF, ao reconhecer a validade da pejotização, dar o passo necessário para que o Brasil seja, de fato, um país onde a liberdade de trabalhar como se quer não seja apenas tolerada, mas respeitada e protegida

Publicado em 06 de Maio de 2025 às 03:30

Públicado em 

06 mai 2025 às 03:30
Alberto Nemer Neto

Colunista

Alberto Nemer Neto Alberto Nemer Neto
Há decisões judiciais que mudam o presente. E há outras que libertam o futuro. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu todos os processos no país sobre a licitude da pejotização, não é apenas um freio na insegurança jurídica promovida por setores resistentes da Justiça do Trabalho — é uma verdadeira libertação para milhões de cidadãos brasileiros.
O STF, ao reconhecer a repercussão geral do tema, assumiu uma responsabilidade histórica: a de conduzir o país rumo ao reconhecimento de novas formas de trabalho que respeitam a liberdade e a autonomia individual. A contratação via pessoa jurídica, em especial nas áreas de tecnologia, saúde, representação comercial, construção civil, consultoria, serviços especializados e serviços técnicos, já é realidade para grande parte dos brasileiros. Resta agora ao Judiciário garantir segurança jurídica a quem ousa viver fora da cartilha celetista.
Não se trata de negar a importância da CLT. Ela foi — e ainda é — essencial para proteger trabalhadores em contextos específicos. Mas a CLT, assim como o telegrama e o orelhão, serve hoje a um público cada vez mais restrito. A grande maioria dos brasileiros quer ser dona de seu tempo, de seu destino e de sua renda. Quer atuar como microempreendedor, MEI, consultor, fornecedor ou prestador de serviços sob as suas próprias regras — sem bater cartão, sem hierarquia, sem subordinação. E isso não é precarização. É liberdade.
Os números mostram que o Brasil vive uma revolução silenciosa. A taxa de desemprego está em 7%, a menor para um primeiro trimestre desde 2012. No entanto, mais de 32,5 milhões de trabalhadores atuam como autônomos informais ou sem carteira assinada. A informalidade atinge 38% da população ocupada. Há 25,9 milhões de pessoas trabalhando por conta própria. O que esses dados revelam? Que há trabalho. Mas que o modelo celetista, com carteira assinada e jornada rígida, deixou de ser a porta de entrada para a maioria.
E há mais: o prestador de serviço, em regra, amplia seus ganhos e sua autonomia em comparação ao regime celetista. Trata-se de uma escolha consciente por mais liberdade, flexibilidade e controle sobre a própria trajetória profissional. O Estado, ao invés de tratar essa realidade como uma ameaça, deve enxergá-la como oportunidade: o que se perde em arrecadação imediata, ganha-se em dinamismo econômico, estímulo à formalização via novas modalidades e expansão da base produtiva.
Fachada do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF)
Fachada do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil
Se não quiser ficar à margem, o poder público terá de se reinventar. Porque não é razoável que o Brasil do século XXI continue tentando encaixar sua força de trabalho em um molde desenhado para a década de 1940.
A geração que está no mercado hoje não quer mais patrão — quer parceria. Não quer mais ponto — quer propósito. Não quer mais crachá — quer conexão. Cabe ao STF, ao reconhecer a validade da pejotização, dar o passo necessário para que o Brasil seja, de fato, um país onde a liberdade de trabalhar como se quer não seja apenas tolerada, mas respeitada e protegida.

Alberto Nemer Neto

Alberto Nemer Neto Alberto Nemer Neto

Advogado trabalhista, coordenador do curso de especialização em Direito do Trabalho da FDV e torcedor fervoroso do Botafogo. Neste espaço, oferece uma visão crítica e abrangente para desmistificar os conceitos trabalhistas e promover um entendimento mais profundo das dinâmicas legais que regem as relações de trabalho

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