O governador Renato Casagrande (PSB) fez questão de reforçar sua identidade política como um líder de centro-esquerda. No início da tarde desta sexta-feira (25), ele chegou à Pousada Pedra Azul para realizar a palestra de abertura do 14º Encontro de Lideranças. Chegou com uma atadura na mão direita, lesionada durante uma pelada e operada recentemente. Sou destro, mas, por falta de opção, dei a mão esquerda a Casagrande ao cumprimentá-lo na chegada. E não resisti à brincadeira:
- Governador, vou cumprimentá-lo com a mão esquerda, hein!
Com a costumeira presença de espírito, Casagrande devolveu a piada:
- Você está dizendo tanto que eu não sou de esquerda que eu até quebrei a mão direita só pra mostrar que sou de esquerda...
Risos gerais de quem presenciou a cena. Na política e no governo, o governador dá seta e pega a mão esquerda.
COM QUE MÃO EU VOU?
Na sequência, falando para uma plateia majoritariamente de empresários (alguns deles muito críticos à esquerda), Casagrande iniciou sua palestra repetindo a brincadeira com um grande fundo de sinceridade:
- Vocês estão vendo que estou com a asa quebrada. O Vitor Vogas diz que eu não sou tão de esquerda. Eu já até quebrei o braço direito para governar só com a esquerda.
CONTEXTO
Ao longo da semana, publiquei uma série de análises buscando responder onde Casagrande se posiciona, hoje, no terreno político-ideológico. Minha conclusão é que, apesar de ser do PSB, o governador está posicionado mais ao centro do que o próprio partido. Não chega a ser de direita, mas definitivamente está longe da extrema esquerda.
AUDIFAX: BLITZ DO FLAMENGO
Numa conversa com jornalistas, o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), foi lembrado do debate da CBN Vitória contra Sérgio Vidigal (PDT) no 2º turno da eleição municipal de 2016. Na ocasião, ele surpreendeu o adversário e até o público, partindo para cima de Vidigal com dados e críticas desde o minuto 1 do debate.
RIGONI PUXANDO FERRO
Também palestrante no 14º Encontro de Lideranças, o deputado federal Felipe Rigoni (de saída do PSB) está engajado não só na política e em seu mandato parlamentar, mas também em um programa rigoroso de perda de peso, que inclui atividades físicas regulares.
Baixinho mas parrudão, Rigoni ganhou alguns quilos desde que chegou à Câmara no início deste ano. Ele passou a frequentar uma academia em Brasília. Mas se engana quem pensa que optou por atividades aeróbicas: esteira, bicicleta, nada disso! O deputado gosta mesmo é de fazer musculação.
A CRISE DO PSL
Falando em atividades físicas, o deputado federal Luiz Lima (PSL-RJ), campeão de maratonas aquáticas e provas de longa distância nas piscinas, participou de um debate com Rigoni e a também jovem deputada Luísa Canziani (PTB-PR). Instado a explicar a crise interna vivida pelo PSL, com participação direta do presidente Bolsonaro, o ex-vice-líder da bancada da sigla na Câmara recorreu a argumentos de ordem afetiva/sentimental: “É preciso ter carinho e atenção na condução da política. Quando você tem pessoas que não têm um olhar de carinho, fica muito difícil”.
MAIS FÁCIL NADAR 10 KM...
Sinceramente, se tem algo que passa longe do estilo de Bolsonaro na “condução política” é “carinho”. E está mais fácil vencer maratonas aquáticas do que pacificar o PSL e entender a confusão interna em que o partido se meteu.
RIGONI INSACIÁVEL
Apesar da dieta, Rigoni está voraz, mas não em matéria de comida. O debate entre ele, Lima e Canziani foi mediado pela jornalista Andréia Sadi, da TV Globo. Na parte final do debate, reservada para perguntas do público, o tempo já estava apertado. Sadi leu a pergunta de alguém sobre as políticas do MEC no governo Bolsonaro, direcionada por ela para Lima, representante da base governista. Após a resposta do ex-nadador, Rigoni levantou o dedinho e pediu para também dar sua opinião.
“Ele quer tudo!”, contou para a plateia, entre risos, a mediadora, referindo-se ao deputado capixaba. Sadi contou que, em entrevista anterior com Rigoni, para o programa dela, já havia percebido que Rigoni é insaciável, no sentido de ter opiniões formadas sobre todos os assuntos e fazer questão de as compartilhar.
“ESCOLA VIVA”? QUE “ESCOLA VIVA”?
Mais uma vez ficou evidente: Casagrande e seus colaboradores fazem todo tipo de contorcionismo, dribles de dar inveja a Neymar e Robinho, mas não usam nem sob tortura as palavras “Escola Viva” quando falam do programa estadual de escolas em tempo integral cuja implantação começou em 2015, com Paulo Hartung no governo. Para Casagrande e equipe, “Escola Viva” é só o “nome da marca”, o “nome de marketing” etc. Na sua palestra, o governador voltou a falar, por extenso, em “escolas de tempo integral”.
VAI PARA A CASA, SECRETÁRIO!
O secretário estadual da Fazenda, Rogelio Pegoretti (PSB), participou do Encontro de Lideranças acompanhado por sua esposa, Indiara Venturin. Muito simpática, ela revelou que o marido está trabalhando demais. E, quando não está soterrado pelos assuntos da secretaria, que lhe demandam muito tempo, ainda se envolve em outras atividades que lhe tomam algumas horas: de síndico do condomínio a organização de associação de escoteiros.
NEM PRA SÍNDICO!
Mas de uma coisa a senhora Pegoretti pode se despreocupar: o secretário não tem a menor pretensão de concorrer a mandatos eletivos. Zoando a si mesmo, ele confidenciou: “Quando alguém não tem vocação política, qual é a primeira coisa que dizem? Que não ganha eleição nem para síndico de prédio. No meu caso, isso já aconteceu. Disputei a perdi, por um voto, a eleição para síndico do meu condomínio.” Na eleição seguinte no prédio, Pegoretti acabou levando.
COLECIONADOR DE MOEDINHAS
Além dos vários encargos, Pegoretti cultiva um grande hobby: colecionar moedas. Ele comprou uma coleção de níqueis fabricados pela Casa da Moeda desde a implantação do Plano Real, de 1993 para 1994. Faz sentido, né? Um secretário da Fazenda tem mesmo que valorizar a moeda.