Depois de quase três anos de avaliações e muitas conversas com lideranças locais, a paranaense Britânia bateu o martelo e definiu que vai se instalar no município de Linhares. A empresa vai fazer investimentos de R$ 394 milhões em uma fábrica de eletrodomésticos.
As informações são do prefeito Guerino Zanon, que adiantou à coluna que a companhia tem planos de começar a operar no primeiro semestre de 2021.
A empresa já começou a avaliar terrenos e pretende se instalar na região Sul da cidade, às margens da BR 101, e está em fase de contratação da empreiteira que será a responsável pelas obras, previstas para começarem no primeiro trimestre de 2020.
A unidade, que terá 65 mil metros quadrados de área construída, vai fabricar ventiladores, circuladores, bebedouros, centrífugas, purificadores de água, liquidificadores, batedeiras, multiprocessadores, espremedores de frutas e tanquinhos de lavar roupa. A capacidade produtiva será de 16 milhões de itens por ano.
De acordo com o prefeito, a Britânia, que está há 60 anos no mercado, deseja ampliar no Brasil a fabricação de mercadorias.
"Hoje, eles importam alguns itens e querem internalizar a produção, e Linhares faz parte dos planos para efetivar esse objetivo. Ou seja, será algo muito positivo para o Espírito Santo, mas para o país como um todo"
Quando começar a operar, a fábrica vai demandar quase 2 mil profissionais diretamente, sendo 192 com formação superior e 1.749 com ensino médio, informou o chefe do Executivo municipal.
Para Zanon, a chegada da Britânia reforça o surgimento de um novo setor no Estado, uma vez que outra empresa de produtos de utilidade doméstica, a gaúcha Brinox, também vai operar em Linhares, essa já a partir de 2020.
Aliás, esse tipo de negócio agrega e muito para a qualificação da mão de obra local e também contribui para a diversificação da economia capixaba, que hoje ainda é muito dependente de commodities.
EMPRESAS COMEÇAM A DESTRAVAR PROJETOS
A confirmação do empreendimento da Britânia é excelente notícia para o Estado e é um sinal de retomada da economia. O projeto da companhia paranaense já estava há pelo menos três anos no radar da empresa, mas aguardava o melhor momento para ser viabilizado.
O cenário atual de juros baixos, inflação controlada e uma perspectiva mais otimista dos rumos do país, por exemplo, com uma melhora gradual do consumo das famílias, encorajou o grupo a desengavetar o empreendimento. Assim como a Britânia, tudo indica que mais empresas comecem a destravar seus projetos a partir de 2020, o que pode atrair muitos negócios para o Espírito Santo.
Linhares, de certa forma, já antecipou esse movimento. Mesmo 2019 tendo sido um ano "chocho" para a economia - devemos fechar com um crescimento bem tímido, algo na casa de 1% de alta do PIB brasileiro - , o município conseguiu fazer anúncios da chegada de novos negócios, início da construção e da operação de alguns empreendimentos.
Além das já citadas Britânia e Brinox, há a indústria de café solúvel Cacique, a empresa de implementos agrícolas Fimag e o Linhares Medical Center, que já estão em fase de obras no município. Sem contar a gaúcha Randon, que inaugurou em junho sua unidade de reposição de peças.
Como a coluna já citou em uma outra ocasião, quando chegou a chamar a cidade de cara de pau, o trabalho feito pela gestão de Linhares nos últimos anos tem rendido bons frutos. O prefeito Guerino Zanon, que à época frisou a importância de apresentar o município para outros Estados, mesmo em épocas de economia fragilizada, voltou a lembrar o quanto a persistência é um dos fatores que contribuem para o sucesso de negociações entre o poder público e privado.
“A gente tem que partir para cima. Temos feito um contato quase que mensal com os investidores da Britânia. Tínhamos a confiança que, em algum momento, a administração central ia dar condições para as empresas tirarem projetos da gaveta. Nesse caso, foram quase três anos de muitas viagens e conversas. O resultado veio.”