Publicado em 22 de junho de 2021 às 11:23
Investigado na CPI da Covid por ser membro do chamado "gabinete paralelo" para assessoramento do governo na pandemia, o empresário Carlos Wizard afirmou, em maio de 2020, que recebeu do então ministro interino da Saúde Eduardo Pazuello a missão de acompanhar contratos públicos para a compra de medicamentos. >
Na ocasião, sem cargo público, Wizard disse também que o Brasil seria "forrado" com medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina – sem eficácia comprovada contra a Covid-19. O vídeo com as declarações foi publicado nesta segunda-feira (21) pela revista IstoÉ. >
Em entrevista para a revista em uma live, em maio do ano passado, o empresário apresenta Pazuello ao jornalista. "Vou te apresentar o nosso ministro da Saúde, general Pazuello", disse Wizard. E Pazuello cumprimentou o jornalista: "E aí irmão, tudo bem?". Na sequência, começou a comentar sobre os medicamentos. >
"A missão que o general me passou foi de acompanhar os grandes fornecedores, os grandes contratos, porque você sabe que o orçamento do Ministério da Saúde é um dos maiores da União, cerca de R$ 150 bilhões", disse o empresário. >
>
"Logo, logo você vai ver que o Brasil vai ser forrado de medicamentos, na fase ainda inicial do tratamento, cloroquina, hidroxicloroquina, ou seja, alguns fornecedores são nacionais, mas tem muita coisa que não é fabricada no Brasil e dependemos de fornecedores estrangeiros", complementou. >
O grupo majoritário na CPI da Covid, composto por senadores de oposição e independentes, investiga se Wizard é um dos líderes do chamado "gabinete paralelo". O grupo seria responsável por aconselhar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a condução da pandemia. Entre as ações propostas estaria a defesa do tratamento da Covid-19 com medicamentos ineficazes no combate à doença e a imunização da população pelo contágio em massa.>
Em depoimento à CPI da Covid em 20 de maio deste ano, Pazuello afirmou que não houve compra de hidroxicloroquina enquanto esteve à frente do Ministério da Sáude. "Não comprei nenhum grama de hidroxicloroquina, não fomentei o uso da hidroxicloroquina. Mandei distribuir tudo o que me foi pedido. Se o Estado pedia, eu tenho, eu entrego.">
Wizard deveria ter prestado depoimento no dia 17 de junho ao colegiado, mas não compareceu. O empresário está nos Estados Unidos desde 30 de março. Pediu, sem sucesso, para depor por meio de videochamada. Novo depoimento foi marcado para 30 de junho.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta