Publicado em 9 de agosto de 2023 às 10:02
Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (9/8), em investigação sobre interferência no segundo turno das eleições de 2022.>
A prisão, realizada pela Polícia Federal (PF), ocorreu em Florianópolis (SC). >
Em 30 de outubro de 2022, dia do segundo turno das eleições, a PRF realizou várias blitzes restringindo a movimentação dos eleitores, sobretudo no Nordeste, onde o atual presidente Lula (PT) tinha larga vantagem sobre seu rival, Jair Bolsonaro (PL), segundo as sondagens eleitorais.>
Na véspera, Vasques declarou voto em Bolsonaro no Instagram. A postagem foi posteriormente apagada.>
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Na ocasião, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, determinou a suspensão imediata das blitze, sob pena de prisão de Vasques.>
Caso descumprisse a ordem, Vasques podia ser afastado e até preso em flagrante por crime de desobediência, além de ser multado em R$ 100 mil por hora.>
Vasques chegou a ser convocado ao prédio do TSE na tarde do segundo turno das eleições para prestar esclarecimentos a respeito de operações policiais relacionadas ao transporte público de eleitores.>
Pelo menos 560 abordagens de fiscalização a coletivos fazendo transporte público de eleitores foram relatadas. O número de manifestações constou em controle interno da PRF. >
No dia anterior, o TSE já havia determinado que a PRF não fizesse operações no transporte público, para não atrapalhar a votação.>
Na época em que a PRF esteve no centro da crise, o presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Dovercino Neto, disse à BBC News Brasil que era "inegável que a imagem da instituição foi abalada".>
Natural de Ivaiporã, no Paraná, Vasques foi nomeado diretor-geral da PRF em abril de 2021 pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. Ele substituiu Eduardo Aggio.>
Torres era Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (DF) e estava na Flórida (EUA) quando os ataques de 8 de janeiro ocorreram. Ele foi preso preventivamente sob suspeita de omissão intencional na segurança, o que teria supostamente contribuído para permitir os atos de vandalismo, segundo a acusação. Torres nega que tenha sido omisso ou facilitado os atos.>
Vasques, graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina e em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí, é formado em Segurança Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e pela Escola Superior de Administração e Gerência da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc).>
Especialista em Gestão Organizacional pelo Centro Universitário de Maringá (Cesumar), Vasques também é mestre em Administração pela Universidade Uniatlantico, na Espanha, e doutorando em Direito pela Universidade Católica de Santa Fé, na Argentina.>
Silvinei Vasques, que entrou na PRF em 1995 aos 20 anos, se aposentou no ano passado, aos 47 anos. Ele pôde se aposentar pela regra antiga, que permitia deixar a corporação após 20 anos de contribuição independentemente da idade. >
Depois da Reforma da Previdência, a regra mudou para 25 anos de contribuição e idade mínima de 55 anos.>
Durante sua carreira, ele exerceu atividades de gerência e comando em diversas áreas, inclusive como superintendente em Santa Catarina e coordenador-geral de operações na capital federal. Também foi secretário municipal de Segurança Pública e de Transportes no município de São José entre 2007 e 2008.>
Antes de se tornar chefe da PRF, foi superintendente da corporação no Rio de Janeiro.>
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