Publicado em 28 de maio de 2025 às 13:58
BRASÍLIA - A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (28) a sétima fase da Operação Sisamnes, que investiga suspeitas de vazamentos e venda de decisões em gabinetes do STJ (Superior Tribunal de Justiça).>
A nova fase tem o objetivo de investigar os possíveis mandantes e eventuais coautores do homicídio do advogado Roberto Zampieri, em 2023, em Cuiabá. Zampieri foi morto dentro do carro, com dez tiros, em frente ao seu escritório na capital mato-grossense.>
No celular de Zampieri, foram encontradas conversas com desembargadores, empresários e com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que intermediava as negociações com servidores do STJ.>
Durante as investigações, a Polícia Federal afirma ter descoberto a existência de uma organização criminosa responsável pela prática de crimes como espionagem e homicídios sob encomenda.>
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Essa suposta organização criminosa empresarial era denominada "Comando C4", formada por militares (ativos e da reserva) e civis, seria dedicada à prática de crimes graves, especialmente espionagem e homicídios sob encomenda, entre elas o advogado.>
O C4 significava, de acordo com as investigações, "Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos".>
Ao analisar documentos apreendidos, a Polícia Federal afirma ter encontrado manuscritos contendo menções a autoridades brasileiras, entre as quais se destacam parlamentares do Congresso Nacional e ministros do STF.>
Por determinação do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, quatro mandados de monitoramento eletrônico e seis mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais.>
Eles já eram suspeitos de terem participado da morte de Zampieri, mas agora são também apontados como participantes de uma organização criminosa armada.>
Entre os presos preventivos na operação desta quarta está Anibal Manoel Laurindo, apontado pela polícia de Mato Grosso como o suspeito de ser mandante do assassinato. Ele tinha interesses em uma disputa de terra que ocorria na Justiça local.>
Procurada, a defesa de Anibal disse que ainda está analisando a situação do cliente e se manifestará depois.>
Também foram alvos do mandado o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, que era suspeito de intermediar o crime. Caçadini já estava preso, e sua defesa diz que ele está doente.>
A advogada de Caçadini, Sarah Quinetti, afirma que nas buscas e apreensões desta quarta não foi encontrado qualquer elemento ilícito contra seu cliente.>
Também foi alvo o pedreiro Antônio Gomes da Silva, suspeito de ser o autor dos disparos, e o instrutor de tiro Hedilerson Fialho Martins Barbosa. O advogado de Hedilerson, Igor Lopes, afirma que não teve acesso ao teor da decisão e da operação e que a "defesa segue trabalhando com dedicação".>
A reportagem não localizou a defesa de Antônio.>
Nesta quarta, também são cumpridas medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato e saída do país e o recolhimento dos passaportes de outras quatro pessoas.>
As investigações que chegaram às suspeitas sobre o STJ se iniciaram após o homicídio do advogado. Em mensagens que estavam em seu celular, foram encontradas menções a vendas de decisões em gabinetes de ao menos quatro ministros.>
O caso levou ao afastamento de dois desembargadores do Tribunal de Justiça do estado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).>
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