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Saúde

Pesquisa aponta que 8,7% dos adolescentes dizem usar cigarro eletrônico no Brasil

A pesquisa mostrou que o uso de cigarros eletrônicos entre meninas (9,8%) é maior que entre meninos (7,7%) e chama a atenção para uma mudança na tendência de queda do consumo de nicotina em geral

Publicado em 17 de Junho de 2025 às 10:11

Agência FolhaPress

Publicado em 

17 jun 2025 às 10:11
jovem fumando vape, cigarro eletrônico
Desde 2009 a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe a importação, a comercialização e a publicidade dos chamados DEFs (Dispositivos Eletrônicos para Fumar) Crédito: Shutterstock
Pesquisa divulgada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) mostra que 8,7% dos adolescentes de 14 a 17 anos relataram ter usado cigarros eletrônicos no último ano. O percentual é bem maior que o dos jovens que afirmaram fumar cigarro convencional (1,7%) e também maior que o dos adultos que disseram usar vape (5,4%).
Com dados de 2022 a 2024, o Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III) foi feito pela Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp em parceria com a Ipsos, com financiamento pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. É a primeira vez que cigarros eletrônicos entram no levantamento.
O levantamento ouviu 16.608 pessoas de 14 anos ou mais, de todas as regiões do país. Os participantes receberam a opção de serem encaminhados para tratamento no Hospital São Paulo e no Centro de Atenção Integral em Saúde Mental (CAISM) da Unifesp. A pesquisa mostrou que o uso de cigarros eletrônicos entre meninas (9,8%) é maior que entre meninos (7,7%) e chama a atenção para uma mudança na tendência de queda do consumo de nicotina em geral.
"Hoje a gente tem um índice de consumo invisível, principalmente entre os adolescentes. Agora é que a gente começa a explorar esses dados", acrescentou. "Tivemos uma história maravilhosa de sucesso de políticas públicas, que geraram uma queda vertiginosa no tabagismo, mas esse novo desafio [cigarros eletrônicos] quebrou completamente essa trajetória", disse Clarice Madruga, professora de psiquiatria na Unifesp e coordenadora do levantamento, durante videoconferência para o lançamento da pesquisa.
Para a pesquisadora, "fica óbvia a emergência de investigar, entender e se precaver desse fenômeno". A proibição, ela diz, "não está bastando", já que 53,3% dos adolescentes disseram ter fácil acesso aos vapes. Desde 2009 a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe a importação, a comercialização e a publicidade dos chamados DEFs (Dispositivos Eletrônicos para Fumar). Em 2024 a agência decidiu manter a proibição e considerou que não há dados que apontem benefícios com uma eventual regularização do produto.
"A gente sabe que essa é a realidade, principalmente nas grandes cidades. O controle é ruim, principalmente na venda por canais digitais. Esse é o grande desafio", disse Clarice Madruga.
Newsletter Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar *** A pesquisa também mostra que os dispositivos eletrônicos não auxiliaram na diminuição do uso de tabaco tradicional, o que é uma promessa da indústria. Cerca de 78% dos usuários gerais que fazem uso dual (ambas as modalidades) não reduziram o consumo do cigarro. Só 8,9% abandonaram o tradicional.
À Folha de S.Paulo o Ministério da Justiça disse que a Senad (Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos), junto à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), vai trabalhar de forma urgente para retirar os produtos ilegais de lojas online.

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