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Rio de Janeiro

Operação sobre caso Marielle foi vazada, diz promotor de Justiça

Ronnie Lessa, preso nesta terça-feira (12) por envolvimento no crime, confessou ter sido avisado

Publicado em 12 de Março de 2019 às 21:43

Publicado em 

12 mar 2019 às 21:43
A viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, refaz Grafite em homenagem a Marielle feito por Malala Yousafzai na comunidade Tavares Bastos, no Catete Crédito: Agência Brasil

A operação desta terça-feira(12) que resultou na prisão de dois suspeitos pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes foi vazada. A informação foi divulgada por uma das promotoras do Ministério Público (MP) que atuaram no caso, citando uma confissão informal do sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, a integrantes da força-tarefa.

Ronnie foi preso ainda de madrugada, se preparando para sair de casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, mesma situação do também ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, que mora no bairro Engenho de Dentro, na zona norte.

“Com relação à suposta fuga dos denunciados, um deles, o Ronnie, de forma informal, confessou ali, naquele momento, que ele tinha sido avisado”, revelou a promotora Simone Sibílio, coordenadora do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), durante coletiva.

Em função do vazamento, segundo a promotora, a operação, prevista para quarta-feira (13), teve que ser antecipada. Ronnie e Elcio foram denunciados pelo MP por homicídio qualificado contra Marielle e Anderson por tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora que estava no carro no dia do crime, em 14 de março de 2018.

MOTIVAÇÃO

Segundo Simone, o MP apurou, até o momento, que a motivação está ligada à repulsa de Ronnie às causas defendidas por Marielle, o que também é conhecido como crimes de ódio.

“Com relação ao crime de ódio, se o que se chama de ódio é irresignação, a reação, o descontentamento dele com algumas questões relacionadas às minorias, por exemplo, o perfil dele, pelas pesquisas que ele faz, o comportamento dele tem esse perfil. Essa capitulação não existe no Código Penal. Juridicamente, é um motivo torpe, em razão dessa reação dele a todas as causas com as quais a Marielle trabalhava. É uma reação abjeta dele a essas causas”, disse Simone.

Segundo o MP, o crime foi meticulosamente planejado durante três meses. Além das prisões, foram emitidos mandatos de busca e apreensão de documentos, telefones celulares, computadores e armas. Também participaram da coletiva as promotoras Letícia Emile Alqueres Petriz, Elisa Fraga e Eliane de Lima Pereira.

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