Publicado em 26 de agosto de 2022 às 17:11
BRASÍLIA - O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alexandre de Moraes, alegou "erro material", mudou de decisão e liberou nesta sexta-feira (26) a divulgação de propaganda do governo Jair Bolsonaro (PL) sobre o bicentenário da Independência, celebrado em 7 de Setembro.>
O ministro apenas vetou o trecho da campanha dizendo "e essa luta também levamos para o nosso cotidiano, para a proteção das nossas famílias e sobretudo, para a construção de um Brasil melhor a cada dia".>
Em decisão assinada na quinta-feira (25), Moraes havia apontado "viés político" na propaganda e barrado a divulgação de toda a peça.>
Ao mudar de posição, o ministro afirmou que houve "erro material" na divulgação da primeira decisão. "O requerente demonstra o viés educativo e informativo da campanha, relacionada à história nacional, com personagens relevantes dentro desses 200 anos", escreveu Moraes ao liberar a peça.>
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A Lei das Eleições impede a publicidade institucional de órgãos públicos nos três meses que antecedem as eleições. Por isso, o governo tem de pedir a liberação ao TSE das campanhas que se encaixam em exceções desta lei.>
Moraes determinou que a campanha permita apenas a identificação dos ministérios do Turismo, Defesa e das Relações Exteriores. Ele também vetou alusão a sites contendo, mesmo de forma abreviada, alusão ao governo.>
Já a frase barrada na decisão apresentava "eventual conotação eleitoral", segundo Moraes.>
Na manifestação anterior, que o ministro afirma estar errada, ele havia apontado que slogans da campanha faziam alusão a candidatos e ideologias.>
"Trata-se de slogans e dizeres com plena alusão a pretendentes de determinados cargos públicos, com especial ênfase às cores que reconhecidamente trazem consigo símbolo de um ideologia política, o que é vedado pela Lei eleitoral, em evidente prestígio à paridade de armas", havia dito Moraes na decisão já retificada.>
O presidente do TSE não mencionava o nome de candidatos que seriam beneficiados com campanha. Mas Bolsonaro quer usar as celebrações da Independência para dar demonstração de força semanas antes das eleições.>
Bolsonaro já convocou apoiadores para irem "às ruas pela última vez" no feriado. A pedido do Palácio do Planalto, ruralistas que apoiam o presidente planejam enviar 28 tratores para participar do desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.>
Sob o argumento de violar a Lei das Eleições, o TSE já vetou pronunciamentos do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, com elogios ao trabalho do Brasil no combate à Covid e na campanha contra a varíola do macaco.>
As duas decisões de Moraes ainda mostram posições opostas sobre a urgência da campanha.>
No texto que barrava a propaganda, o ministro considerava que "não ficou comprovada a urgência que a campanha demanda, para fins de divulgação durante o período crítico da campanha, que se finaliza em novembro de 2022".>
Ele ainda havia dito que após novembro seria o "momento a partir do qual plenamente possível a comemoração do Bicentenário da Independência.">
Já no texto publicado nesta sexta, porém, Moraes declara que "no tocante à urgência, verifica-se a importância do pertencimento à nação, que agora de forma democrática, vem se perpetuando o país.">
A propaganda do governo usa as cores verde e amarelo. Na primeira decisão, Moraes citava que a seguinte frase estava presente na propaganda: "A mesma coragem de Dom Pedro existe ainda hoje em milhões de Pedros Brasil afora". Este trecho não é mencionado na segunda decisão, mas não fica claro se a peça foi alterada.>
O coração de dom Pedro 1º foi enviado de Porto (Portugal) ao Brasil e recebido com honrarias de chefe de Estado no Palácio do Planalto como parte das celebrações.>
O governo disse ao TSE que a ideia da campanha era "incentivar a sociedade brasileira a conhecer sua história e refletir sobre o seu papel na formação de país, livre e independente, despertando o orgulho, a autoestima e o sentimento de pertencimento à nação brasileira".>
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