Publicado em 30 de setembro de 2025 às 08:44
SÃO PAULO - Escolas particulares brasileiras devem reajustar em 9,8% o valor das mensalidades por aluno a partir de 2026, aponta pesquisa da consultoria Rabbit divulgada neste mês. O percentual é a média dos aumentos obtidos pelo levantamento, que ouviu 308 instituições de ensino privado em abril e em agosto deste ano.>
Se concretizado, o número equivale a mais do que o dobro da inflação projetada para 2025, de 4,81%, embora a recomposição inflacionária, diz o estudo, seja apenas um dos três itens que compõem o reajuste.>
Também entram nesse cálculo o reajuste sobre o salário dos professores e os investimentos realizados pelas escolas.>
Pela lei, as escolas só podem reajustar as mensalidades uma vez ao ano. O percentual deve ser informado às famílias com um prazo mínimo de 45 dias antes da data final para a matrícula.>
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O resultado obtido no relatório para o ano que vem é ligeiramente superior ao registrado nos últimos anos. De 2023 para 2024, mensalidades registraram aumento médio de 9,3%. De 2024 para 2025, por sua vez, 9,5%.>
A maior média de reajuste está prevista para Minas Gerais, com 10%, seguida por São Paulo (9,8%). O menor índice (6,5%) está na região Sul.>
O aumento projetado para 2026 vem ao mesmo tempo em que o lucro de instituições privadas registrou margem média de 14%, número "muito abaixo do ideal para empresas prestadoras de serviço", segundo nota que acompanha o levantamento.>
A baixa lucratividade não é regra no setor e foi puxada sobretudo por instituições de ensino infantil, diz Christian Rocha Coelho, do Grupo Rabbit.>
"São escolas que deram desconto de até 25% sobre o valor da mensalidade naquela época [da pandemia] e não conseguiram recuperar. As grandes sofreram menos porque conseguiram manter as aulas no ambiente online. Nas de educação infantil, isso não aconteceu. Os pais deixaram de pagar", afirma.>
A margem pequena, porém, não freou novos investimentos. Das 308 instituições consultadas, 52% disseram ter planos para investir em infraestrutura e 70%, em atividades complementares -o que inclui programas bilíngues e projetos socioemocionais.>
Trata-se de aposta equivocada na avaliação de Coelho. "Não há causalidade entre a ampliação das atividades complementares e o aumento no número de estudantes. O que vemos é o oposto: pais têm retirado alunos das instituições porque o custo subiu", diz.>
Em um dos casos, afirma ele, uma escola de educação infantil contratou atividades complementares e o custo do material cresceu de R$ 400,00 para R$ 1.200,00. Dos cem alunos matriculados, 50 deixaram a instituição.>
A evasão em razão do preço, diz Claudia Costin, ex-diretora de educação no Banco Mundial, se dá principalmente pelo modelo de ingresso às universidades.>
Segundo ela, pais muitas vezes optam por pagar mais em instituições com maior rendimento em vestibulares em detrimento daquelas que oferecem materiais diferenciados -como robótica, por exemplo.>
Costin diz também que a saúde financeira das instituições de ensino privado é também afetada pela queda nas taxas de fecundidade da população. "Nascem cada vez menos crianças e as matrículas, consequentemente, diminuem. Então são mais instituições disputando um mercado menor", diz.>
Daí a tendência de escolas particulares em aderir ao ensino em tempo integral — o que também entra no cálculo do reajuste, diz Costin.>
Para ela, já não há sentido em condensar o conteúdo de 13 matérias, por exemplo, em apenas cinco horas de aula -sobretudo ante os avanços tecnológicos mais recentes, como a inteligência artificial.>
"Teremos de fazer o que o resto do mundo faz, dando sete horas de aula aos alunos. Mas isso dialoga diretamente com o custo das unidades, com suas mensalidades", afirma.>
Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, José Antonio Figueiredo Antiório afirma que escolas têm padrões e necessidades diferentes, razão pela qual valores de reajustes podem variar.>
"O número da recomposição é definido pela planilha das escolas, que são autônomas. Se analisássemos apenas a questão do reajuste salarial do magistério, teríamos 6% a 6,5% de reajuste", diz.>
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