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Lombo de bacalhau e até uísque 12 anos no cardápio dos militares

Painel de Preços do Ministério da Economia mostra compras feitas pelas Forças Armadas no país. O 38° BI, localizado em Vila Velha, também aparece na lista

Publicado em 13/02/2021 às 15h06
Atualizado em 13/02/2021 às 17h15
Cerimônia do Dia do Soldado, em Brasília, em 2019
Cerimônia do Dia do Soldado, em Brasília, em 2019. Crédito: Marcos Corrêa/PR

Além de picanha e cerveja, no ano passado, a dieta dos militares pode ter incluído itens como lombo de bacalhau, conhaque e até uísque 12 anos, segundo informações obtidas por deputados do PSB no Painel de Preços do Ministério da Economia.

Os dados oficiais mostram que, em 2020, foram aprovados, por exemplo, processos de compra de 140 mil quilos de lombo de bacalhau. Em um dos pregões, do Comado da Aeronáutica, o preço de referência usado pelo órgão público foi de R$ 150 por quilo do produto, conforme divulgou o jornal "O Estado de S.Paulo". A lista também trazia outros 9,7 mil quilos de filé do peixe salgado.

O 38º Batalhão de Infantaria do Exército, localizado em Vila Velha, também aparece no levantamento. O painel mostra que o órgão solicitou a compra de dez garrafas de uísque Ballantine’s, mas desde que fosse com 12 anos de envelhecimento. O preço proposto foi de R$ 144,13 por unidade.

Por meio de nota, o Ministério da Defesa informou que "o 38º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, sediado em Vila Velha, não realizou o empenho de nenhuma unidade das '10 garrafas do uísque Ballantine's - 12 anos de envelhecimento', indicada pelo jornalista do Estadão. A suposta aquisição simplesmente não ocorreu."

Tropa do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, em Vila Velha, vai ajudar em cidades destruídas pelas chuvas no Sul do ES
Tropa do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, em Vila Velha. Crédito: Ricardo Medeiros

UÍSQUE PARA A MARINHA

O interesse por bebidas caras também vem do Comando da Marinha, que teria preferido adquirir, por R$ 164,18 a unidade, 15 garrafas de Johnnie Walker, também com 12 anos de envelhecimento, o chamado “Black Label”.

As informações obtidas pelos parlamentares, e divulgadas pelo jornal O Estado de S.Paulo, serão anexadas a uma representação A entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR), para obter esclarecimentos sobre os gastos alimentares das Forças Armadas, os quais incluíram a compra de mais de 700 mil quilos de picanha e 80 mil cervejas.

“É um poço sem fundo. Quanto mais investigamos, mais absurdos e irregularidades encontramos. Se não bastasse o governo comprar picanha e cerveja, ainda tem o corte mais caro do bacalhau, uísque e conhaque e com indícios de superfaturamento”, declarou o deputado Elias Vaz de Andrade (PSB-GO) a "O Estado de S.Paulo".

Andrade está entre os parlamentares que assinam a representação enviada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que investigue os gastos militares.

LICITAÇÃO É DIFERENTE DE COMPRA, DIZ DEFESA

Ao "Estadão", por meio de nota, o Ministério da Defesa afirmou que “reitera seu compromisso com a transparência e a seriedade com o interesse e a administração dos bens públicos” e que “eventuais irregularidades são apuradas com rigor”.

O texto destaca também que “existe sempre uma significativa diferença entre processos de licitação e a compra efetivamente realizada, cuja efetiva aquisição é concretizada conforme a real necessidade da administração”.

A pasta não respondeu, no entanto, o motivo pelo qual inserir a intenção de compra de uísque, lombo de bacalhau, cerveja e picanha em licitações. Ou quanto foi efetivamente adquirido.

Atualização

13 de Fevereiro de 2021 às 17:03

Na manhã deste sábado (13), o Centro de Comunicação Social do Exército foi questionado sobre  supostas aquisições de uísque 12 anos pelo 38º Batalhão de Infantaria. O órgão solicitou, às 14h17, que os questionamentos fossem enviados ao Centro de Comunicação Social do Ministério da Defesa. A pasta foi imediatamente demandada, e respondeu às 16h49. A nota foi incluída no texto da reportagem. 

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