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No Paraná

Ginecologista é condenado a mais de 35 anos de prisão por crimes contra pacientes

Além da pena, Justiça cassou a titulação em ginecologia do médico e determinou que ele indenize vítimas. Defesa disse que vai recorrer da decisão

Publicado em 03 de Setembro de 2024 às 08:24

Agência FolhaPress

Publicado em 

03 set 2024 às 08:24
O médico ginecologista Felipe Sá Ferreira foi condenado pela Justiça Estadual do Paraná a uma pena de 35 anos de prisão, 1 mês e 9 dias de prisão pelos crimes de violação sexual mediante fraude e violência psicológica contra a mulher.
A sentença, assinada nesta sexta-feira (30), é do juiz Givanildo Nogueira Constantinov, da 4ª Vara Criminal de Maringá. A íntegra da decisão não foi divulgada pela Justiça Estadual, já que se trata de um processo que tramita em sigilo.
Felipe Sá Ferreira, que atuava em Maringá (PR) como ginecologista, foi condenado pela Justiça Estadual nesta sexta-feira (30); defesa irá recorrer
Felipe Sá Ferreira, que atuava em Maringá (PR) como ginecologista, foi condenado pela Justiça Estadual nesta sexta-feira (30); defesa irá recorrer Crédito: Reprodução/Facebook
O magistrado também manteve a suspensão do direito de exercer a medicina e determinou a cassação da especialidade em ginecologia. Além disso, ele fica obrigado a pagar R$ 15 mil para cada uma das 33 vítimas que fizeram a representação contra o médico.
O advogado Francisco Resende, responsável pela defesa de Ferreira, disse à reportagem nesta segunda-feira (2), que ainda está analisando a sentença e que irá recorrer ao Tribunal de Justiça.
Ferreira havia sido preso em junho do ano passado a partir do relato de três mulheres. Mas o caso ganhou ampla repercussão e mais pacientes do médico começaram a procurar a Polícia Civil.
Os investigadores apontam que foram identificadas 42 vítimas no total, das quais 33 quiseram fazer a representação contra o médico.
O Ministério Público, que ofereceu a denúncia contra o médico em março deste ano, informa que os crimes teriam ocorrido nos anos de 2011, 2015, 2019, 2022 e 2023.
No ano passado, o delegado Dimitri Tostes, que conduzia a investigação, explicou à Folha de S.Paulo que havia casos em que, a pretexto de realizar um exame ginecológico, o médico "passava a estimular a zona sexual dela sem qualquer tipo de prévio aviso".
"[Ouvimos também] uma mulher que falou de massagem na zona sexual, sem aviso, sem relação com a finalidade do exame", relatou o investigador na época, com base nos depoimentos das pacientes.
Ainda segundo o delegado, Ferreira "tinha um discurso para cativar as mulheres". "Antes mesmo dos exames, ele abordava a temática do empoderamento feminino, da desconstrução, do papel da mulher na sociedade, para criar um acesso às mulheres, para elas sentirem confiança nele", disse o investigador.
Até o ano passado, Ferreira mantinha um site em que ele dizia defender a "humanização da ginecologia e obstetrícia". "Não há mais espaço para o paternalismo médico, onde a figura do doutor é a mais importante, passando muitas vezes por cima da autonomia da mulher, sob seus desejos, seu corpo e autoconhecimento", dizia o texto.
Em 2022, Ferreira foi candidato a deputado federal pelo partido Novo. Ele obteve 2.516 votos e não se elegeu.
O CRM-PR (Conselho Regional de Medicina do Paraná) disse que instaurou sindicância sobre o caso em junho de 2023 e que, depois, foi aberto um Processo Ético-Profissional, ainda em andamento.
Segundo o CRM, não há um prazo legal para a conclusão da apuração, que pode gerar desde advertência até a cassação do exercício profissional, a ser confirmada pelo Conselho Federal de Medicina.

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