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Covid-19: Governo avança para comprar 70 milhões de doses de vacina Pfizer

Informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (7) e, segundo a pasta, negociações já estão bem avançadas

Publicado em 07/12/2020 às 23h02
Pfizer aponta que vacina contra a Covid-19 apresentou mais de 90% de eficácia na análise preliminar dos testes da fase três
Governo avança para comprar 70 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Pfizer. Crédito: Reuters/Folhapress

O Ministério da Saúde afirmou que avançou nas negociações para a compra de 70 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus produzida pela Pfizer em parceira com a BioNTech. A pasta anunciou, nesta segunda-feira (7), que o memorando de intenção da aquisição das doses deve ser assinado até o final desta semana.

A vacina será aplicada em duas doses, mas ainda não foi divulgado o valor previsto para cada dose. Nesta segunda (7), houve uma reunião entre membros do Ministério da Saúde e dos laboratórios para tratar do memorando. 

"O governo brasileiro e a Pfizer avançam nas tratativas na intenção de compra de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer e Biontech contra a Covid-19, a ser fornecido em 2021. Os termos já estão bem avançados e devem ser finalizados ainda no início desta semana com a assinatura do memorando de intenção", disse o Ministério da Saúde em nota.

A necessidade de conservação a uma temperatura de 70 graus negativos vinha sendo considerado um empecilho para a aquisição da vacina pela pasta. A Pfizer, porém, garante que tem um plano para o transporte e o armazenamento das doses para o Sistema Único de Saúde (SUS) através de uma embalagem para 5 mil doses com temperatura controlada utilizando gelo seco. A validade da vacina seria de 15 dias.

Já foram investidos R$ 2 bilhões pelo Ministério da Saúde para obter a tecnologia de produção da vacina desenvolvida pela Oxford/AstraZeneca. Outros R$ 2,5 bilhões foram reservados para receber doses para 10% da população por meio do consórcio Covax Facility. 

PRESIDENTE GARANTE VACINA GRATUITA PARA TODOS

Por meio de sua conta oficial no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que, a partir da obtenção da certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o governo irá garantir vacinas para toda a população. Bolsonaro reiterou que as doses serão gratuitas e não obrigatórias.

PAZUELLO DEVE TRATAR DE VACINAS COM GOVERNADORES EM REUNIÃO NO PALÁCIO

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuelo, deve realizar uma reunião nesta terça-feira (8) com governadores para tratar da compra de vacinas contra a Covid-19. O encontro será feito no Palácio do Planalto, mas a maioria dos governadores deve participar por meio de videoconferência.

Em outubro, durante reunião com governadores, Pazuello anunciou que compraria doses da Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantã, órgão ligado ao governo paulista de João Doria (PSDB). Após ser desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro, porém, o ministério recuou e negou a compra do imunizante. Nessa videoconferência Pazuello estava no Ministério da Saúde.

A Saúde não deu explicações sobre o porquê de a reunião, desta vez, ser feita no Palácio do Planalto. A Presidência não informou se Bolsonaro e ministros palacianos participam da conversa.

Os governadores devem cobrar que o ministério incorpore ao SUS o maior número de vacinas possível, além de pedir mobilização para uso emergencial dos imunizantes, que pode ser feito ainda com estudos clínicos em andamento. Pazuello tem dito, porém, que só comprará mais vacinas após o registro dos produtos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Tutelado pelo Planalto, o ministro da Saúde ainda tem ignorado a Coronavac ao falar sobre o plano para vacinar a população.

Desafeto de Bolsonaro, o governador Doria deve participar da reunião por videoconferência. Nesta segunda-feira, 7, ele anunciou que a vacinação em São Paulo começa em 25 de janeiro, mesmo sem o Butantã ter apresentado todos os dados sobre a Coronavac. O plano do governo federal aponta março como mês do início da vacinação.

Horas mais tarde ao anúncio de Doria, o presidente disse nas redes sociais que não faltaram recursos para vacinar toda a população brasileira de graça. O ministério, porém, ainda corre atrás de insumos básicos para a imunização, como seringas.

Além de Doria, outros governadores tem negociado compras próprias de vacina. O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, afirma que a criação de planos estaduais para vacinação não é o ideal, mas torna-se inevitável por causa da demora do ministério em fechar um plano nacional de vacinação, incorporar imunizantes e comprar seringas A entidade pede que o ministério lidere e centralize este debate.

O governo Jair Bolsonaro aposta na vacina de Oxford. A Fiocruz trabalha para incorporar a tecnologia e produzir as próprias doses desse imunizante. Mas os pesquisadores responsáveis pelo estudo de Oxford já reconheceram erros nos testes iniciais e a necessidade de ampliar ensaios clínicos para medir a eficácia, o que deve atrasar o registro. Além disso, a pasta espera receber doses para 10% da população brasileira por meio da Covax Facility, consórcio internacional liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O ministério também tem feito reuniões com outras farmacêuticas, como a Pfizer, mas não se comprometeu com a compra de novos imunizantes. A pasta e a Pfizer trataram nesta segunda-feira, 7, sobre pontos de um "memorando" não vinculante de interesse sobre a vacina. Um dos pontos de divergência entre as partes é o número de doses ofertadas. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a afirmar ironicamente, nos bastidores, que as doses não serviriam para imunizar Brasília, que tem cerca de 3 milhões de habitantes.

*Com informações de agências

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