Publicado em 25 de agosto de 2025 às 10:09
O empresário Gleison Luís Menegildo foi indiciado pelo assassinato de Giovana Pereira, 16, que foi encontrada sem vida no sítio dele, em Nova Granada, no interior de São Paulo. O corpo da jovem ficou enterrado na propriedade do suspeito por cerca de oito meses até a Polícia Civil encontrar o cadáver em agosto do ano passado. Giovana teria sido morta no dia 21 de dezembro de 2023. Na ocasião, a adolescente teria ido até a empresa de Gleison em São José do Rio Preto para uma suposta entrevista de emprego, mas saiu do local sem vida em circunstâncias ainda a serem esclarecidas pela polícia.
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Apesar de ter morrido em dezembro de 2023, o corpo de Giovana só foi encontrado oito meses depois, em agosto de 2024. Na época, a família da jovem registrou boletim de ocorrência para reportar o desaparecimento dela. Após meses de investigação, a polícia localizou os restos mortais da jovem enterrados no sítio de Gleison em Nova Granada.>
Empresário admitiu que conheceu Giovana 15 meses antes de ela ser morta por meio de um aplicativo de relacionamento. Em depoimento, ele afirmou que foi até o apartamento onde ela morava com uma amiga. De lá, foram até um motel no município de Mirassol, no interior de São Paulo. Segundo o empresário, os dois tiveram relação sexual, mas não houve consumo de drogas.>
O empresário alegou que não sabia que ela tinha 16 anos. Ele afirmou que, no dia em que se conheceram, Giovana mostrou uma cédula de identidade com a data de nascimento adulterada, para provar que tinha mais de 18 anos. Após o encontro, ele confirmou que transferiu uma quantia em dinheiro para ela, mas não revelou o valor. Na versão dele, os dois só voltaram a manter contato sete meses após o primeiro encontro, quando a jovem lhe pediu um emprego. Ele explicou que aceitou analisar o currículo dela e pediu que ela fosse até sua empresa, em São José do Rio Preto.>
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No dia combinado, Giovana foi até a empresa e, no local, o empresário e um funcionário dele teriam trocado beijos com a adolescente. Ele relatou que Giovana estava em sua empresa no dia 21 de dezembro de 2023, que ele consumiu cocaína naquele dia e disse a Giovana que não a contrataria. Conforme o depoimento, em determinado momento o empresário saiu da sala onde estavam para pegar uma cerveja e deixou um frasco contendo cocaína no local.>
Segundo o suspeito, a adolescente usou o entorpecente sem sua permissão e passou mal. Um outro funcionário o alertou que a menina não estava bem e ele, ao perceber que Giovana havia morrido, entrou em "pânico completo". Gleison revelou que dois funcionários presenciaram tudo. Com o auxílio de um deles, colocou o corpo da jovem em sua caminhonete e saiu "dirigindo desnorteado". Em seguida, dirigiu-se até o sítio para enterrá-lo.>
O caseiro do sítio confessou à PM que ajudou a abrir cova para enterrar a adolescente. Cleber Danilo Partezani afirmou que no dia 21 de dezembro de 2023, o patrão apareceu no sítio e pediu que ele abrisse um buraco em determinado local da propriedade, mas sem revelar detalhes de quem seria enterrado. Empresário pediu segredo e admitiu que iria enterrar um corpo humano, segundo versão do caseiro. O patrão retornou à propriedade em outros momentos para praticar tiro.>
Troca de mensagens ocorreu em 2023. Patrícia Alessandra Pereira contou à reportagem que mexeu no celular da filha e viu o conteúdo da conversa com Gleison. Segundo a mãe, na ocasião, Giovana admitiu que havia se relacionado com o empresário, que havia oferecido ajuda financeira à garota. "Falei que ela não precisava disso. Ela me disse que não teria mais encontrado com ele", explicou Patrícia.>
Último contato de Giovana com a mãe foi no dia 20 de dezembro de 2023, um dia antes de desaparecer. Patrícia detalhou que procurou a polícia no dia 23 de dezembro.>
Gleison foi indiciado por suspeita de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem chances de defesa para a vítima. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que decidirá se aceita as provas colhidas pela polícia e apresenta a denúncia à Justiça, se pede mais investigações ou se arquiva o caso.>
Empresário já havia sido indiciado por ocultação de cadáver após o corpo da jovem ser encontrado enterrado em seu sítio. No ano passado, ele chegou a ser preso pelo crime de ocultação e admitiu que enterrou o corpo da jovem em sua propriedade. Na época, ele foi solto para responder em liberdade mediante pagamento de fiança. Porém, na semana passada, Gleison voltou a ser preso temporariamente.>
Além do empresário, também foram presos na semana passada o caseiro do sítio, Cleber Danilo Partezani, e um outro funcionário da empresa dele que não teve a identidade revelada. Os dois empregados de Gleison ainda não foram indiciados, segundo a Polícia Civil.>
Na época em que o corpo de Giovana foi encontrado, a defesa do empresário e do caseiro negou que eles tenham assassinado a jovem. O advogado Carlos Sereno, que representa os dois, afirmou que a vítima morreu em decorrência do consumo exagerado de drogas durante uma "festa de confraternização" na empresa de Gleison. Carlos Sereno informou que o "laudo necroscópico irá confirmar se ela morreu de overdose". "Infelizmente, na hora do desespero, acabaram fazendo essa besteira", detalhou o advogado sobre a ocultação do cadáver.>
Sobre o suposto relacionamento de Gleison com a adolescente, o advogado informou que eles teriam se conhecido pelo Tinder. Segundo o advogado, eles tiveram apenas um encontro. Giovana teria recebido um valor, não informado, via Pix. A reportagem procurou Sereno e tentou contato com o advogado da família de Giovana nesta semana para pedir posicionamento sobre o novo indiciamento e a prisão de Gleison, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
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