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Norte da África

Chimpanzés estariam bebendo 1,5 de bebida alcoólica por dia? Entenda

Os animais, é claro, não têm acesso a cervejarias: a substância vem das frutas fermentadas que eles ingerem em grandes quantidades

Publicado em 18 de Setembro de 2025 às 09:24

Agência FolhaPress

Publicado em 

18 set 2025 às 09:24
Chimpanzés africanos bebem mais que um litro e meio de cerveja, em razão de frutas fermentadas
Chimpanzés africanos bebem mais que um litro e meio de cerveja, em razão de frutas fermentadas Crédito: Reprodução/Folha/Reuters
Chimpanzés de duas florestas africanas consomem todo dia uma quantidade de álcool equivalente a quase uma latinha e meia de cerveja, indica um novo estudo. Os animais, é claro, não têm acesso a cervejarias: a substância vem das frutas fermentadas que eles ingerem em grandes quantidades. A estimativa está em artigo na revista especializada Science Advances. As conclusões do trabalho trazem mais peso à hipótese de que o álcool pode ter sido parte da dieta dos ancestrais e parentes próximos da humanidade há muito tempo, desde a época em que a maior parte das calorias que obtinham vinha de frutas tropicais africanas.
Coordenado por Aleksey Maro, da Universidade da Califórnia em Berkeley, o estudo recolheu dados em regiões bem distantes entre si na África, de leste a oeste do continente. Os grupos de chimpanzés acompanhados pela equipe são os de Ngogo, em Uganda (África Oriental), e os de Taï, na Costa do Marfim (África Ocidental). No caso do grupo ugandense, os pesquisadores acompanharam a "safra" de frutos consumidos pelos grandes símios de 2017 a 2019; já na Costa do Marfim, o levantamento aconteceu de junho a setembro de 2021.
Há uma massa crescente de dados sobre o consumo de álcool entre animais não humanos e o processo de produção natural da substância nos vegetais. É comum que o etanol se acumule em algum nível em frutas maduras, especialmente em regiões tropicais. Isso se dá porque fatores como a abundância de moléculas de açúcar e o calor são condições favoráveis à multiplicação de leveduras (fungos microscópicos) como o Saccharomyces cerevisiae, que fermenta o açúcar em seu processo de crescimento. (Não por acaso, o nome científico da levedura inclui a palavra em latim que deu origem ao termo "cerveja" em português.)
Diante de um componente molecular que tende a ficar mais presente nas frutas conforme elas vão amadurecendo, o organismo de muitas espécies de mamíferos parece ter evoluído para aproveitar esse recurso na alimentação, com o surgimento de enzimas (grosso modo, "tesouras" moleculares) cuja função é justamente "picotar" o etanol em pedaços menores e absorvê-lo como alimento. Para algumas espécies, a substância também passou a ser simplesmente palatável -sabe-se, por exemplo, que em certos lugares da África há grupos de chimpanzés que aprendem a roubar vinho de palmeira produzido tradicionalmente pelas comunidades locais.
No novo estudo, Maro e seus colegas fizeram análises químicas da polpa de 20 espécies de frutas maduras consumidas regularmente pelos chimpanzés, entre as quais se destacam diferentes tipos de figos. Os pesquisadores verificaram que a concentração média de etanol nesses frutos era de 0,3% do peso da polpa. No entanto, acontece que o consumo médio de frutas por parte dos macacos é de 4,5 kg por dia. Em termos alcoólicos, isso corresponde a 1,4 "drink padrão" diário (cada drink padrão equivale ao teor de álcool de uma latinha de cerveja ou uma taça de vinho com 150 ml).
O peso verdadeiro desse consumo, porém, pode ser ainda maior para os animais, levando em conta sua massa corporal frequentemente menor que a de um ser humano adulto. As fêmeas de chimpanzés da África Oriental, por exemplo, pesam em média 35 kg, o que significa que elas estariam consumindo diariamente o mesmo que 2,6 "drinks padrão" que um ser humano com o dobro de seu peso.
Trata-se de um consumo "crônico e considerável" de álcool, e que poderia valer para outros primatas também, dizem os pesquisadores. O que significa que, milhões de anos atrás, os ancestrais da humanidade que viviam em florestas tropicais africanas provavelmente tinham acesso a esse recurso alimentar e podiam consumi-lo em quantidades comparáveis às dos chimpanzés de hoje.

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