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Bolsonaro visitará prefeito defensor de tratamento sem eficácia em SC

O presidente elogiou  João Rodrigues (PSD)  e disse que o prefeito fez "um trabalho excepcional", incluindo com o tratamento de paciente "na ponta da linha"

Publicado em 05/04/2021 às 18h07
Atualizado em 05/04/2021 às 18h07
O Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante declaração após reunião com os presidentes do Senado Federal, Câmara dos Deputados e Supremo Tribunal Federal, ministros e governadores
O Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante declaração após reunião com os presidentes do Senado Federal, Câmara dos Deputados e Supremo Tribunal Federal, ministros e governadores. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro informou hoje, 5, que visitará o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), um defensor do chamado tratamento precoce contra a Covid-19, mas que não tem, contudo, eficácia comprovada. Bolsonaro elogiou Rodrigues e disse que o prefeito fez "um trabalho excepcional", incluindo com o tratamento de paciente "na ponta da linha" e "liberdade total" para os médicos.

"Quarta ou quinta-feira agora estarei em Chapecó, visitarei o prefeito João Rodrigues, onde fez um trabalho excepcional no tocante aos recursos dados pelo Estado e o atendimento na ponta da linha de quem necessitava do tratamento", citou o presidente nesta segunda-feira, em evento para entregas de residências do programa Casa Verde Amarela em São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal.

Mais cedo, o presidente já havia compartilhado em suas redes sociais vídeo de Rodrigues em que o prefeito afirma ter usado no município o "protocolo de tratamento precoce" e incentiva governadores e prefeitos a "não ter medo" e tratar "seus pacientes com tudo aquilo que é possível". Na publicação, Bolsonaro escreveu "ouçam o Prefeito de Chapecó/SC".

"Foi uma obra fantástica por parte dele (Rodrigues), é um exemplo a ser seguido, por isso estou indo para lá. Para exatamente não só ver, mas como mostrar a todo o Brasil que o vírus é grave, mas seus efeitos têm como ser combatidos", declarou Bolsonaro.

Defensor do tratamento "off label", fora da bula, Bolsonaro destacou que em Chapecó os médicos têm "liberdade total" para indicar tratamentos aos seus pacientes. "Mais ainda, naquele município (Chapecó) - com toda certeza em mais também, em alguns Estados também - o médico tem a liberdade total para trabalhar com o paciente, total. E esse é dever do médico, uma obrigação e direito dele", reforçou o presidente.

A ideia do tratamento precoce vai na contramão do que é defendido pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. O chefe da Saúde também foi chamado a ir junto com Bolsonaro para a visita em Chapecó - a cidade foi visitada pelo ex-ministro Eduardo Pazuello em março. Ainda não há confirmação oficial sobre se Queiroga viajará junto com o presidente.

"Não tem um remédio específico ele (médico) trata da melhor maneira possível por isso os índices foram lá para baixo (em Chapecó)", citou Bolsonaro. Em fevereiro, contudo, Chapecó também vivenciou alta dos casos da doença e das mortes provocadas pela covid-19.

Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Chapecó, desta segunda-feira, o município acumula 537 óbitos pela doença e quase de 34 mil casos positivos. Há exatos dois meses, em 5 de fevereiro, o município registrava 153 óbitos desde o início da pandemia - o número mais do que triplicou desde então.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro defendeu o tratamento com remédios sem comprovação científica contra o novo coronavírus, como a cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina O chefe do Executivo chegou a exibir uma caixa de hidroxicloroquina em reunião do G20. Em suas lives semanais, o presidente já se referiu ao tratamento precoce como "tratamento inicial" e "tratamento preventivo". Na última transmissão ao vivo, Bolsonaro disse que "o tratamento precoce passou a ser crime no Brasil", ao ironizar as críticas a essa abordagem.

Hoje, o presidente também voltou a defender a retomada das atividades econômicas. "Bato na mesma tecla desde março do ano passado, temos dois problemas pela frente gravíssimos ainda o vírus e o desemprego. E também sempre bati na mesma tecla as medidas para combater o vírus, os seus efeitos colaterais não podem ser mais danosos que o próprio vírus", disse. "O Brasil precisa voltar a trabalhar", acrescentou.

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