Publicado em 29 de janeiro de 2024 às 18:30
RIO DE JANEIRO - Alvo da Polícia Federal nesta segunda-feira (29), o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) já esteve na mira de outras investigações sobre suspeitas de ser articulador de esquema de divulgação de notícias falsas e de desviar salário de assessores em seu gabinete, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.>
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Carlos foi alvo de mandados de busca e apreensão no âmbito da operação que investiga monitoramentos ilegal da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante a gestão do ex-mandatário.>
O vereador é suspeito de ter recebido informações produzidas da agência, que atuou, segundo investigadores, de forma paralela para atender pedidos da família.>
A reportagem fez contato com o advogado do parlamentar, mas ainda não teve nenhum retorno.>
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Carlos está em seu sexto mandato na Câmara Municipal do Rio. Ele se elegeu pela primeira vez como vereador em 2000, aos 17 anos — quando tomou posse, em janeiro de 2001, tinha acabado de completar 18 anos, idade mínima para o cargo.>
Na época, disputou a vaga de vereador contra a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, a pedido do pai. Jair Bolsonaro e a ex-mulher estavam em processo de separação. O ex-presidente não queria que ela se reelegesse e decidiu lançar o filho no lugar.>
Carlos e Bolsonaro têm uma relação próxima e, durante a gestão do ex-presidente, era comum que o vereador estivesse na sede do governo federal atuando como um conselheiro extraoficial do pai.>
É o filho "02", como é conhecido, quem administra os perfis do pai nas redes sociais. Carlos também foi o coordenador da campanha virtual do líder bolsonarista em 2018, quando se elegeu à Presidência, e em 2022.>
Foi justamente sua atuação nas redes que o fez entrar na mira da PF. Carlos é alvo de dois inquéritos no STF (Superior Tribunal Federal): o das fake news e o das milícias digitais. O vereador foi apontado como o articulador do chamado Gabinete do Ódio, instalado no Palácio do Planalto para atacar adversários políticos e disseminar mentiras e informações falsas.>
Os dois inquéritos são relatados pelo ministro Alexandre de Moraes, alvo frequente de ataques bolsonaristas. O magistrado foi quem autorizou a ação da PF desta segunda contra Carlos.>
Além disso, o vereador também é investigado em um inquérito do Ministério Público do Rio que apura uma suposta prática de rachadinha em seu gabinete na Câmara Municipal. Segundo a promotoria, Carlos teria recebido cerca de R$ 91 mil em depósitos sem origem, enquanto o chefe de seu gabinete, Jorge Luiz Fernandes, recebeu mais de R$ 2 milhões em repasses feitos por outros seis servidores do vereador.>
Fernandes também foi alvo de busca e apreensão pela PF nesta segunda-feira. Braço direito de Carlos, o chefe de gabinete também é investigado no inquérito dos monitoramentos ilegais da Abin.>
Com a apreensão dos celulares de Carlos e de seus assessores — além do chefe de gabinete, também foi alvo da operação a assessora Luciana Paula Garcia —, a expectativa agora é que as demais investigações contra o vereador também avancem. A depender do que for encontrado no material apreendido, a Polícia Federal poderá compartilhar as informações com os demais órgãos interessados.>
A operação desta segunda-feira acontece menos de uma semana após o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) ser alvo da PF no mesmo inquérito sobre a atuação paralela da Abin.>
O parlamentar é homem de confiança de Bolsonaro e foi indicado por ele para ser o pré-candidato bolsonarista na disputa à prefeitura do Rio. O coordenador da campanha de Ramagem é Carlos, que nutre uma amizade com o deputado.>
Carlos e Ramagem se aproximaram durante a eleição de 2018. Ramagem, que é policial federal, foi chefe da segurança de Bolsonaro depois do então candidato levar uma facada em Juiz de Fora (MG).>
Os dois ficaram ainda mais amigos durante o período em que Ramagem atuou como assessor especial da Presidência, durante os primeiros meses do governo Bolsonaro.>
Após a operação contra o deputado, Carlos usou as redes sociais do pai para defender o aliado. Para minar a pré-candidatura de Ramagem, a estratégia é colocar o parlamentar como vítima de uma perseguição por parte do STF e do governo Lula (PT). A mesma narrativa já está sendo utilizada por demais bolsonaristas para defender Carlos.>
O vereador também se prepara para sua campanha de reeleição à Câmara Municipal. Atualmente no Republicanos, partido que foi da base do governo de seu pai, Carlos está em vias de se filiar ao PL. Isso deve acontecer depois do carnaval. O filho do presidente deve assumir o comando municipal da legenda, cargo ocupado hoje pelo vice-prefeito do Rio, Nilton Caldeira.>
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