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Ato pela democracia

Ainda estamos aqui, ao contrário do que planejavam os golpistas, diz Lula em ato sobre 8/1

Presidente discursou em cerimônia que marca dos dois anos dos ataques golpistas às sedes dos Três Poderes

Publicado em 08 de Janeiro de 2025 às 14:19

Agência FolhaPress

Publicado em 

08 jan 2025 às 14:19
BRASÍLIA - O presidente Lula (PT) disse nesta quarta-feira (8) que "ainda estamos aqui, ao contrário do que planejavam os golpistas", em referência ao suposto plano de golpe de Estado de 2022 e aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
"Ainda Estou Aqui" também é o nome do filme de Walter Salles, no qual a atuação da atriz Fernanda Torres rendeu um Globo de Ouro no último domingo.
Lula e Alexandre de Moraes, em cerimônia pelos dois anos do ataque às sedes dos Três Poderes Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A declaração foi dada durante cerimônia para marcar os dois anos dos ataques golpistas às sedes dos Três Poderes por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A data ficou marcada com um dos maiores ataques à democracia — o STF (Supremo Tribunal Federal) já condenou 375 réus pelos ataques, que resultaram na denúncia de 1.682 envolvidos.
"Hoje é dia de dizer em alto e bom som, ainda estamos aqui. Estamos aqui para fizer que estamos vivos que democracia está viva ao contrário do que planejam golpistas de 8 janeiro de 2033. Estamos aqui mulheres e homens de diferentes origens crenças, unidos por uma causa em comum. Estamos aqui para dizer alto e bom som ditadura nunca mais, democracia sempre", disse.
Lula tem dito que quer fazer de 2025 um ano de defesa da democracia. A fala foi feita a portas fechadas diversas vezes, mas também em telefonema à atriz Fernanda Torres, recentemente.
Ele ligou para parabenizá-la por ter ganhado o Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático, por sua atuação em "Ainda Estou Aqui". No telefonema, ele também relacionou a oposição liderada por Bolsonaro à ditadura militar.
A cerimônia com autoridades foi a última de três eventos no Palácio do Planalto para a data. Antes, ele apresentou no Palácio do Planalto peças depredadas na ocasião que foram restauradas.
Relógio do Século XVII foi uma das peças restauradas após depedração Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
As primeiras obras apresentadas foram o relógio trazido ao Brasil por dom João 6º em 1808 e uma ânfora (vaso). O relógio foi restaurado na Suíça, sem custos para o governo brasileiro, e chegou ao Planalto na véspera. De acordo com o governo, ele era do relojeiro de Luís 15, e existe apenas mais um outro deste, exposto em Versailles, na França.
Em um segundo evento, houve a apresentação da obra "As Mulatas" de Di Cavalcanti. O quadro foi rasgado em sete lugares e, segundo o Planalto, seu valor estimado era de cerca de R$ 8 milhões.
Obra "As Mulatas" de Di Cavalcanti, também restaurada, foi rasgada em sete lugares Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
De acordo com o Planalto, foram restauradas 21 peças por especialistas no Palácio da Alvorada, onde foi criado uma espécie de laboratório para especialistas trabalharem nas obras.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a expectativa da cerimônia desta quarta já era de esvaziamento político e descontentamento de militares.
Embora tenha ouvido confirmações informais de presença, segundo relato de integrantes do governo, Lula pode ver frustrada a expectativa de participação de representantes de partidos que integram a sua base governista, limitando a agenda a uma manifestação de esquerda.
O presidente anunciou o evento em sua última reunião ministerial no ano passado e pediu que todos os chefes das pastas estivessem presentes em Brasília. Ele tem repetido que espera fazer de 2025 um marco em defesa da democracia na política.
Mas, na caserna e dentro do próprio governo, havia o receio de que discursos inflamados acirrem os ânimos no meio militar, já abalado com a prisão de oficiais de alta patente.
A assessoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que ele está em viagem, programada anteriormente, mas que o primeiro vice-presidente da Casa, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), representará o Senado na ocasião.
A negativa decepcionou o Planalto, que contava com sua presença, devido à sua atuação em defesa da democracia.
As cerimônias acontecem em um momento de redesenho da Esplanada, com a possibilidade de nomeação de líderes do Congresso numa reforma ministerial. O nome de Pacheco é frequentemente citado nessas conversas.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por sua vez, está em Alagoas com o pai, Benedito Lira (PP-AL), doente. De acordo com relatos, o próprio presidente chegou a convidá-los. E, antes do Natal, teria recebido confirmações das presenças.

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