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Publicado em 19 de outubro de 2023 às 15:25
A necessidade de cuidar dos recursos ambientais para preservar as gerações é uma realidade em todo o planeta. Foi pensando nisso que o produtor rural Douglas Pessin Krauze resolveu reflorestar os valões da propriedade onde mora com a família, por meio da introdução de plantas nativas. Como resultado, seis nascentes ganharam vida novamente na localidade situada em Vila Valério.>
O produtor rural foi um dos vencedores do 3º Prêmio Biguá de Sustentabilidade 2023, iniciativa da Rede Gazeta Noroeste que divulga, valoriza e incentiva boas práticas ambientais de empresas, instituições e sociedade civil.>
Com o tema “Problemas antigos pedem novas soluções”, o evento aconteceu na noite de quarta-feira (18), no Cerimonial Simonassi, no bairro Maria das Graças, em Colatina. Por meio da análise de uma comissão técnica julgadora, a premiação foi distribuída entre cinco categorias: Empresa, Escola, Poder Público, Produtor Rural e Sociedade Civil.>
O Prêmio Biguá de Sustentabilidade foi criado há 12 anos na Região Sul do Espírito Santo, devido à percepção da degradação acelerada na Bacia do Rio Itapemirim. Em 2021, a premiação foi expandida para as regiões Norte e Noroeste do Estado.>
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Maria Helena Vargas, diretora da Rede Gazeta Norte, destacou que, ao longo desses anos, estes têm sido os objetivos do Biguá: divulgar iniciativas e incentivar outras pessoas a adotar e replicar as mesmas práticas.>
Maria Helena Vargas
Diretora da Rede Gazeta Norte
"Todos que estão na premiação estão contribuindo para uma sociedade melhor e um ambiente mais saudável. E, mais do que nunca, precisamos incentivar e valorizar quem está fazendo essas boas práticas", acrescenta a diretora.>
Na categoria Sociedade Civil, o primeiro colocado foi o “Projeto Social Sabão Ecológico”, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Marilândia. Criado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, a iniciativa foi pensada em atender a necessidade das famílias em obter produtos sanitários para limpar e higienizar a casa, além de sabão para lavar as mãos.>
Pensando nisso, e também na cultura local, onde muitas famílias produzem sabão caseiro, funcionários da Apae de Marilândia criaram a proposta de fazer um sabão ecológico, com óleo de cozinha utilizado. >
Como resultado, as famílias dos alunos e usuários da Apae não apenas aprenderam a fazer o sabão em barra e líquido, como também replicaram a receita a ponto de comercializarem o produto e conseguirem uma renda extra. Segundo Raquel Quintela Alves, coordenadora de assistência social da Apae de Marilândia, um litro de óleo utilizado é capaz de produzir até 70 barras de sabão ecológico, de 250 gramas cada.>
"Vimos que, em Marilândia, a cultura de fazer sabão em casa é forte, mas notamos que não havia nenhum ponto de coleta de óleo de cozinha na cidade. Então tivemos a ideia de montar na Apae um ‘Eco Ponto’ para recolher esse óleo e fazer sabão com ele", explica Raquel.>
Raquel Quintela Alves
Coordenadora de assistência social da Apae de MarilândiaOutro exemplo de boas práticas ambientais é o do produtor rural Douglas Pessin Krauze. Com o projeto “Agricultura regenerativa”, ele e a família reflorestaram a propriedade onde residem em Vila Valério e, desde 2015, seis nascentes ganharam vida novamente.>
Com o reflorestamento, a família observou que, quando a chuva vinha, ela não levava os nutrientes do solo para o córrego que passa pela propriedade e que deságua no Rio Doce, em Regência, Linhares. Na noite de quarta-feira (18), o projeto ficou em primeiro lugar na categoria Produtor Rural, do Prêmio Biguá.>
"Quando chegamos na propriedade, em 2015, percebemos que ela tinha muita capacidade de ser criadora de água. Então começamos a reflorestar os valões, introduzindo plantas nativas e também aquelas que gostávamos. De lá para cá, umas seis nascentes abriram novamente", relata o produtor rural. >
Douglas Pessin Krauze
Produtor ruralNa categoria Escola de Ensino Fundamental e Médio, o primeiro lugar ficou com o projeto “Mato no Prato: Conheçam as PANCS (Plantas Alimentícias Não Convencionais)”, desenvolvido pelos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Bertolo Malacarne, de São Gabriel da Palha. A ideia nasceu por meio de uma conversa informal entre o professor Wesley Alves Silva com os estudantes em sala de aula a respeito do cultivo de plantas no quintal de casa.>
As “PANCS”, segundo o professor, são todas aquelas plantas que crescem em hortas, matos e terrenos baldios e que as pessoas acreditam que são descartáveis, mas que, na verdade, possuem alto valor nutricional, como a taioba e a ora-pró-nobis. >
A partir do debate, a escola passou a desenvolver ações ambientais e até mesmo um projeto de lei no município, para que as “PANCS” fossem inseridas na alimentação dos alunos. Atualmente, muitos estudantes trazem as plantas de casa e entregam na cantina da escola, onde são preparadas as refeições.>
Wesley Alves Silva
Professor da EMEF Bertolo MalacarneApesar de a mineração ser associada à degradação da natureza, a Marbrasa Norte Mineradora Ltda., empresa de rochas ornamentais localizada no distrito de Baunilha, em Colatina, tem provado que é possível trabalhar no ramo e compensar o meio ambiente. Por meio do projeto “Reserva Ambiental Camilo Cola”, para cada hectare explorado, a empresa recupera o que foi extraído do local. Com a ideia, a Marbrasa foi a primeira colocada na categoria Empresa.>
Renan da Silva Carvalho
Analista de meio ambiente e biólogoOutra importante iniciativa de recuperação ambiental é a do Consórcio Público Rio Guandu, das cidades de Baixo Guandu, Brejetuba, Conceição do Castelo, Itaguaçu e Laranja da Terra. Por meio do “Projeto Cultivar”, o consórcio, que levou o primeiro lugar na categoria Poder Público, pensa em ações que possam recuperar as condições ambientais, principalmente a disponibilidade hídrica. >
“O consórcio existe há mais de 25 anos e, na época de sua criação, foi pensado na recuperação da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu. Hoje, ele pensa de forma regional [...]. Sabemos que os eventos climáticos e ambientais vêm, então a gente precisa de ações para minimizá-los”, disse Ana Paula Alves Bissoli, secretária executiva do Consórcio Público Rio Guandu. >
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