
Gutman Uchôa de Mendonça*
Com 97 anos de idade, bem vividos e fazendo o bem, Luiz Buaiz nos deixou no início de março. Ele foi empresário, médico dedicado e ex-deputado levado para o ramo da política por amigos.
Luiz foi um dos filhos do comerciante sírio-libanês Alexandre Buaiz, empreendedor do ramo de comércio varejista de gêneros alimentícios, que formou os filhos Luiz e Benjamim como médicos, e José e Américo, como advogados.
Impressionantemente sempre lúcido, Luiz (conhecido na intimidade familiar como Lula) morreu amado e amando a vida, persistindo em suas caminhadas e frequentes idas ao supermercado, onde fazia questão de suprir a dispensa de sua casa.
Maçom por excelência, foi provedor da Santa Casa de Misericórdia de Vitória por um largo período, buscando doações para melhorar o secular empreendimento mantido e administrado pela respeitável organização o Grande Oriente do Brasil, que trabalha a favor da assistência social em todos os Estados brasileiros.
Luiz Buaiz fazia da Medicina um importante instrumento de serviço social. Era desmedido em fazer o bem, dando dinheiro do seu bolso a necessitados que o procuravam.
Um dos grandes sonhos de Luiz era ser prefeito de Vitória, cidade onde nasceu e amou como nenhuma pessoa. Achava que sua ilha ia ser desfigurada pelo favelamento irresponsável, o que seria um grave problema futuro para seus habitantes.
Como pude, ajudei Luiz nas suas ideias para ser o futuro administrador de Vitória, mas não deu certo. Porém, tudo o que ele imaginou que poderia acontecer com a Capital, está acontecendo em dose dupla, devido à irresponsabilidade de alguns administradores que jamais olharam para cima, para os morros, provocando hoje as tragédias sociais que estamos assistindo, com estupendo índice de criminalidade gerado pela desordem social implantada.
Luiz foi um dos fundadores do Conselho Regional de Medicina (CRM) no Espírito Santo e, no Estado, era o médico com o registro mais antigo do órgão. Ele também foi integrante do empreendedorismo criado pelo seu pai e tocado posteriormente pelo irmão Américo Buaiz.
Meus sentimentos à família Buaiz. Luiz mereceu viver muito.
*O autor é jornalista