Abordar a temática que envolve a relação de casais é sempre algo que desperta o interesse na sociedade de forma geral. Entre os vários fatores que podem influenciar a dinâmica e o sucesso de um casal, o elemento fundamental para um relacionamento saudável, sem dúvida, é a possibilidade de sermos vulneráveis nessa relação. Explico.
Para John Bowlby, criador da teoria do apego, é a partir de uma relação segura (base segura), vivenciada ainda na infância, que nos tornamos emocionalmente saudáveis. Essa base segura fornece a confiança necessária (em si e no outro), estabelece protótipos de interações saudáveis e indica um modelo de relação que servirá como o norte para todas as demais relações (familiares, sociais e amorosas).
No entanto, na ausência ou na insuficiência dessa base segura, podemos desenvolver estilos de apego (evitativo ou ambivalente) desadaptativos, ou seja, padrões de interação que podem ser problemáticos e gerar sofrimento para uma ou ambas as partes. A boa notícia é que esses padrões não são absolutos, podendo ser transformados a partir de uma nova relação.
Mas o que é, afinal, uma base segura?
Base segura é um lugar no qual podemos ser vulneráveis, sem medo de represálias por aquilo que estamos sentindo, por aquilo que fizemos ou deixamos de fazer e, finalmente, por aquilo que somos. Também é um lugar no qual estamos a salvo para nos recompor.
E o que acontece quando um relacionamento não é uma base segura?
Em uma única palavra, distanciamento. De maneira espontânea, tendemos a nos aproximar do que é seguro e a nos afastar daquilo que não é. Um casal que não vivencia uma relação como base segura acaba não tendo uma autêntica intimidade, no sentido mais profundo e importante dessa expressão. Ou seja, não se conhece nem se aceita verdadeiramente.
A consequência natural de um relacionamento que não funciona como base segura é a de seus componentes se afastarem um do outro - o casal se repele, tornando-se meros conhecidos, ainda que sob o mesmo teto, quando não se tornam rivais ou até mesmo inimigos.
Quando não nos sentimos seguros, defendemos, atacamos. Quando não nos sentimos seguros, não cedemos, não damos o braço a torcer. Quando não nos sentimos seguros, reprimimos, calamos. E aqui vale lembrar o velho Freud: “quando a boca se cala, os dedos estremecem”.

Bom, por fim, quando não nos sentimos seguros, podemos fazer da relação um eterno e incansável cabo de guerra, do qual não sairá nenhum ganhador.
Mas não precisa ser assim.
A vida a dois não é nada fácil, mas pode ser simples, sobretudo se o casal se lembrar que apesar de cada um trazer sua bagagem, ambos são companheiros, numa mesma viagem, que pode ser mais leve e agradável ao passo que fazem de sua relação uma base segura, com a qual sempre poderão contar.
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