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É otorrinolaringologista da MedSênior

O fone de hoje pode ser a perda auditiva de amanhã

Diferentemente de outras células, como as da pele, as células do ouvido não se regeneram e, quanto maior o volume e mais próximo do ouvido estiver a fonte sonora, menor o tempo de exposição necessário para causar danos

  • Aline Farrás Abu Kamel É otorrinolaringologista da MedSênior
Publicado em 03/03/2026 às 10h00

O cuidado com a saúde auditiva é algo que deve ser levado em conta ao longo de toda a vida, e o Dia Mundial da Audição, celebrado em 3 de março, é momento oportuno para levar conscientização e disseminar a cultura da prevenção.

Cuidar da audição é cuidar da própria autonomia, da memória, da qualidade de vida e do bem-estar no presente, mas também no futuro. Evitar a exposição a ruídos intensos, usar proteção auricular em ambientes de trabalho – e até sociais –  e estar atento a sinais e sintomas para identificar precocemente algum problema são recomendações gerais que seguem válidas e importantes.

Mas um alerta fica ainda mais latente na modernidade e ele diz respeito a um objeto que se tornou parte da identidade de jovens desta geração: o fone de ouvido.

Jovem com fone de ouvido, audição
Jovem com fone de ouvido. Crédito: Pixabay

É quase impossível ver um jovem no carro, na rua, nos ônibus ou no caminho para a escola sem um fone nos ouvidos. É claro que reconhecemos o valor da tecnologia num mundo cada vez mais conectado, onde cada pessoa tem em seu celular um aparelho portátil de áudios e vídeos com transmissão ininterrupta. Imagine a poluição sonora – que, por vezes, presenciamos – se cada um decidisse se conectar às suas redes em alto e bom som em ambientes públicos.

Mas, como em tudo na vida, é preciso equilíbrio, pelo bem do jovem de hoje e do idoso que ele será amanhã. E aí cabe esclarecer: dentro do nosso ouvido, possuímos células ciliadas responsáveis por transformar as ondas sonoras em impulsos elétricos para o cérebro.

Diferentemente de outras células, como as da pele, as células do ouvido não se regeneram e, quanto maior o volume e mais próximo do ouvido estiver a fonte sonora, menor o tempo de exposição necessário para causar danos que podem levar à morte prematura dessas células.

Além disso, a perda auditiva pode ser multifatorial. Um idoso pode vir a apresentar dificuldades auditivas relacionadas à idade – e vale ressaltar que essa perda também precisa ser identificada precocemente para evitar danos relacionados à sociabilidade e ao bem-estar, sendo um dos fatores de risco para a demência que podem ser evitados por mudança de comportamento.

Já o jovem que se expõe a ruídos intensos, que abusa de açúcares, gorduras e cafeína, está acelerando esse relógio pelo risco de comprometer a microcirculação da orelha interna e a saúde auditiva de forma cumulativa.

Não é mais raro, por exemplo, identificar perdas auditivas em pessoas de 40 ou 50 anos, sem fatores genéticos ou de outra ordem que justifiquem o problema, além dos hábitos inadequados. Fica então o alerta: se o jovem não poupar sua audição agora, ele chegará à terceira idade com uma reserva auditiva menor.

Vale lembrar que um dos primeiros sinais de que algum tipo de comprometimento da sua audição pode estar acontecendo é ouvir e não entender. Portanto, esteja atento. Muitos dos estímulos e das relações que construímos passam pelo ouvir, pelo entender e pelo comunicar.

Preocupar-se com a audição na juventude não traz apenas benefícios imediatos, mas é também uma poupança para que, no futuro, seja possível ouvir seus netos, estabelecer boas relações e se manter conectado com o mundo ao seu redor.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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