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Liberação do visto para americanos não respeita a reciprocidade

Isso tudo tem a ver com o medo do turismo ser usado como uma porta de entrada para a migração ilegal

Publicado em 21/03/2019 às 16h34

Passaporte americano

Evelyn Opsommer*

Nas relações internacionais, Estados buscam acordos que preveem a reciprocidade: o que um cede, o outro cede também. Na prática, é bem mais complexo do que isso, já que são inúmeras as áreas em que a reciprocidade não é aplicada, entre elas o tratamento aos turistas na entrada de um país.

Os Estados Unidos exigem visto de turista para os brasileiros, o que significa que a autorização das autoridades norte-americanas se dá ao turista brasileiro, com base em documentação e entrevistas no consulado, antes da viagem. O Brasil aplica a reciprocidade e exige visto de turismo aos norte-americanos.

Acontece que a exigência de visto é um freio ao turismo internacional. Os países em desenvolvimento mais visitados no mundo são os que menos exigem, aos turistas, controle na entrada; é o caso da Tailândia, Malásia e México. Claro sempre haverá os contra-exemplos: China e Rússia têm controle rigoroso mesmo para turismo, porém, estão geograficamente situados mais perto dos potenciais “clientes” turistas. O fato é que o Brasil não consta na lista dos 25 mais visitados, apesar de o turismo ter aumentado na onda Copa do Mundo de 2014, todavia graças à visita dos hermanos, da América do Sul (mais de 60% do total).

O governo Bolsonaro está optando por abrir mão da exigência de visto aos americanos (além de japoneses, canadenses e australianos), sem reciprocidade já que aos brasileiros continuará sendo exigido o visto. É uma aposta, quem não arrisca não petisca. Em dois, três anos, poderemos avaliar pelos números, se o turismo brasileiro foi ou não beneficiado. Minha hipótese é que sim. Claro precisa de segurança também...

A esquerda está criticando duramente a medida, e sua falta de reciprocidade, como sendo humilhante para os brasileiros. Não sabem que cinco mil, sim, cinco mil brasileiros foram barrados ano passado na entrada da União Europeia, sendo que esta não exige visto aos brasileiros. Ou seja, as autoridades policiais europeias continuam tendo o “direito” de mandar um passageiro dar meia volta e voltar a seu país no próximo voo, isso sim uma humilhação sem tamanho. A isenção de visto não significa livre passagem; talvez fosse melhor para os brasileiros que os europeus pedissem visto como uma garantia maior da viagem...

É preciso destacar que essa falta de reciprocidade também é bastante usada entre os países europeus e os africanos; francês faz turismo na Etiópia sem visto, já o contrário não procede.

Isso tudo tem a ver com o medo, fundamentado, do turismo ser usado como uma porta de entrada para a migração ilegal. E os americanos não vão invadir nosso país nem usar o SUS indiscriminadamente!

*O autor é professora de Relações Internacionais da UVV e mestre em História

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